Brasil e China avançam na construção do primeiro satélite geoestacionário

O satélite CBERS-4 foi lançado em 7 de dezembro de 2014. (Imagem ilustrativa/ Inpe/Divulgação

“O CBERS-5 permitirá ao Brasil aumentar as capacidades tecnológicas e estratégicas do País no setor espacial”, afirma coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais do Inpe

Brasil e China avançam em mais uma etapa do desenvolvimento do CBERS-5, o primeiro satélite geoestacionário fruto da cooperação espacial entre as duas nações. Técnicos brasileiros e chineses envolvidos no projeto trabalham na definição de requisitos de engenharia e das soluções tecnológicas que darão suporte à construção do equipamento, previsto para ser lançado até 2030.

O projeto representa um marco para o Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), iniciado em 1988, quando Brasil e China assinaram um acordo de cooperação para o desenvolvimento conjunto de satélites. Ao longo das últimas décadas, a parceria de cooperação espacial entre países resultou no desenvolvimento, lançamento e operação de seis satélites voltados à observação da Terra.

Diferentemente das missões anteriores do programa, que utilizam satélites em órbita que registram imagens de passagem, o CBERS-5 permanecerá em órbita geoestacionária, acompanhando a rotação da Terra. Na prática, isso permitirá o monitoramento contínuo de todo o território brasileiro e o envio de informações meteorológicas e ambientais em tempo real. Pelo acordo firmado entre os dois países, o Brasil será responsável pelo desenvolvimento da plataforma do satélite, enquanto a China desenvolverá a carga útil destinada às observações meteorológicas e ambientais.

Segundo o coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciência Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Adenilson Roberto da Silva, a missão representa um salto tecnológico para o programa espacial brasileiro.

“O CBERS-5 permitirá ao Brasil migrar da área de domínio de satélites de baixa órbita para a de satélites geoestacionários, o que significa aumentar as capacidades tecnológicas e estratégicas do País no setor espacial”, afirma.

De acordo com o pesquisador, uma das alternativas em análise é utilizar plataformas chinesas já validadas em órbita como referência para o desenvolvimento da estrutura brasileira, combinando essa experiência com mecanismos de transferência de tecnologia. 

O desenvolvimento do CBERS-5 foi oficialmente acordado em junho de 2024, quando Brasil e China assinaram uma Declaração Conjunta de Intenções para a construção do satélite. 

Além do avanço tecnológico, o novo satélite deverá ampliar a autonomia brasileira na coleta de dados meteorológicos. Atualmente, o Brasil depende de informações geradas por satélites estrangeiros para a previsão do tempo e o monitoramento climático, por exemplo. 

Além do  CBERS-5, Brasil e China mantêm simultaneamente o projeto do CBERS-6, que será dedidcado à observação da Terra por meio de radar, permitindo a obtenção de imagens mesmo sob cobertura de nuvens. 

O útlimo satélite lançado pela parceria entre os dois países, o CBERS-4, foi lançado em 7 de dezembro de 2014. Esse satélite é equipado com três câmeras imageadoras, sendo um importante instrumento para monitoramento ambiental, informa o Inpe.

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