Alvos civis dos bombardeios dos EUA e Israel mataram mais de 3 mil pessoas. Segundo médicos iranianos, mais de 300 hospitais e centros de saúde foram atingidos
Uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no último domingo (12), relatou a experiência da equipe no Irã em meio à guerra, onde os jornalistas Caco Barcellos e Thiago Jock acompanharam de perto os efeitos dos bombardeios realizados pelos EUA e Israel. Em uma comitiva oficial que visitava áreas atingidas, apenas três equipes estrangeiras foram autorizadas a circular pelo país: a TV Globo, uma russa e uma britânica.
Até então, desde o início do conflito, o acesso da imprensa internacional é restrito. A equipe cruzou cerca de 300 quilômetros pela Turquia, entre montanhas cobertas de neve, até chegar à fronteira com o Irã. No posto de controle, ainda em território turco, as gravações foram interrompidas pelas autoridades. Após duas horas de checagem de documentos e vistos de imprensa, a entrada foi liberada.
A equipe acompanhou as manifestações, visitou locais bombardeados e conversou com a população local e autoridades em Teerã, capital iraniana.
Na capital iraniana, a equipe acompanhou o funeral de um general da Marinha iraniana morto em um ataque no Estreito de Ormuz. Ele participava de uma reunião com outros executivos militares, quando dois mísseis atacaram o navio e o local onde ele estava reunido. O corpo foi levado por mais de 800 quilômetros até Teerã.
Em uma das entrevistas, um jovem criticou duramente os Estados Unidos: “Esse governo americano é o pior de todos os tempos. Nosso povo está apoiando o nosso governo e os nossos militares”, diz.
Durante os discursos, autoridades e participantes também direcionaram críticas a Israel e aos EUA. A presença de forças de segurança era constante, em alguns momentos, os agentes pediram para não serem filmados e chegaram a conferir o material gravado pela equipe, segundo os relatos na reportagem.
A equipe visitou prédios atingidos por mísseis. Em um dos ataques, o alvo seria um professor universitário ligado ao programa nuclear iraniano. Ele morreu junto aos filhos.
Os governos dos EUA e de Israel acusam o Irã de enriquecer urânio para a produção de armas nucleares. Ao todo, treze cientistas ligados ao programa nuclear já foram mortos em ataques semelhantes. Nesta última semana, houve mais um ataque, desta vez com lançamento de mísseis contra a universidade em que alguns cientistas são professores.
ATAQUES
Moradores relataram que os ataques são repentinos e praticamente invisíveis. Em um conjunto de prédios residenciais, é possível ver o rastro de destruição deixado pelas bombas: “Os 25 mortos são aqueles que conseguimos encontrar. Ainda há desaparecidos. As bombas foram tão fortes que muita coisa foi completamente destruída”, disse um morador que testemunhou as explosões.
Dessa mesma forma, Médicos e profissionais de saúde organizaram protestos após ataques a hospitais e ambulâncias. Segundo relatos locais, centenas de unidades de saúde foram atingidas. Durante uma manifestação, uma médica leu uma declaração pública: “A proteção da vida humana e das instalações médicas e farmacêuticas é um direito universal que não pode ser violado em nenhuma circunstância”, diz Farzaneh Fazaeli, uma das líderes da manifestação.
“Mesmo em guerra, existem limites. Não se pode atacar estruturas essenciais para o cuidado de pacientes”, disse.
Segundo médicos iranianos, mais de 300 hospitais e centros de saúde foram atingidos durante os combates. Entre eles, 18 unidades do Crescente Vermelho, equivalente à Cruz Vermelha no país. A Organização Mundial da Saúde confirmou pelo menos 23 ataques a centros de saúde.
Apesar da guerra, a população tenta manter a rotina, como mostrou a reportagem. Em parques de Teerã, famílias fazem piqueniques, uma tradição popular no país. Uma adolescente resumiu a importância desses encontros: “É muito importante porque ficamos juntos e podemos fazer coisas simples, como praticar esportes.”
Durante a noite, as ruas de Teerã são ocupadas por manifestações frequentes, com discursos, bandeiras e palavras de ordem contra inimigos externos. Um pesquisador que participou dos atos diariamente afirmou: “Não temos medo. Estamos aqui para apoiar o nosso país.”
Sem sirenes ou abrigos adequados, a população convive com ataques que chegam sem aviso. Segundo relatos, os mísseis são lançados por aeronaves que não chegam a ser vistas, o impacto vem segundos depois. Ainda assim, multidões seguem ocupando as ruas, mesmo diante de ameaças de novos bombardeios, como mostrou a reportagem.











