Castro mudou diretoria da Rioprevidência para despejar dinheiro público no Master, mostra PF

Operação da PF fez busca e apreensão contra Castro por roubo na Rioprevidência (Fotos: Divulgação - Reprodução - PF)

Segundo a PF, encontros de Cláudio Castro com Vorcaro coincidiam com o dinheiro aplicado posteriormente pela Rioprevidência no Banco Master, “indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”

O ex-governador bolsonarista do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, alterou a composição da diretoria do Rioprevidência e indicou comparsas para enterrar R$ 3 bilhões dos servidores no Banco Master.

A Polícia Federal apontou – em seu relatório – que essa movimentação, junto com a falta de critérios técnicos para os investimentos, mostra que não houve “coincidência temporal”, mas uma “interferência política indevida”. Na terça (26), a PF realizou buscas na cobertura de Castro.

Cláudio Castro nomeou, em maio de 2023, de forma estratégica, Deivis Marcon Antunes como presidente do Rioprevidência.

Deivis foi “um dos agentes nomeados para praticar gestão fraudulenta, tendo operacionalizado a dinâmica de aplicações em Letras Financeiras e fundos de investimentos com um ‘almanaque de irregularidades’, em frontal descompasso com o interesse do RPPS”, segundo a Polícia Federal.

Em dezembro de 2023, Castro indicou Eucherio Lerner Rodrigues para o cargo de diretor de investimentos do fundo dos servidores, onde ele passaria a atuar para que fossem feitos investimentos no Banco Master sem justificativas formais e sem estudos técnicos.

Seu credenciamento junto ao Banco Master ocorreu no mesmo dia em que ele assumiu o cargo no Rioprevidência.

A Polícia Federal também citou, no documento enviado ao STF para embasar as operações deflagradas na terça-feira (26), a indicação de Pedro Pinheiro Guerra Leal para ser gerente de operações e investimentos e de Fernanda Pereira da Silva Machado, que foi gerente de controle interno e auditoria do Rioprevidência.

As mudanças na diretoria do Rioprevidência serviam para garantir que o órgão tomasse decisões de investimento em “consonância com os interesses do Banco Master”, e não dos servidores públicos do Rio de Janeiro.

De acordo com os investigadores, Cláudio Castro “mantinha vínculo próximo” com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”.

O bolsonarista se reunia com Daniel Vorcaro para discutir o aporte de dinheiro público no esquema de fraudes.

A PF encontrou sincronia entre os encontros que Castro tinha com Vorcaro e os investimentos feitos pelo Rioprevidência no Banco Master, “indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”.

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