O candidato das forças progressistas afirmou que a decisão visava “contribuir para a convivência, a paz e o diálogo”. Bancada do Pacto Histórico, principal força na Câmara e no Senado, reafirmou a “defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários, a educação pública, a paz e as liberdades democráticas”
“Decidi aceitar o resultado decorrente desse processo, que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, afirmou o candidato do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, Iván Cepeda, em declaração pública nesta quinta-feira (25). A contagem preliminar do Registro Nacional apontava a candidatura fascista à frente por cerca de 245 mil votos (0,95%).
O líder progressista declarou que a decisão visava “contribuir para a convivência, a paz e o diálogo”, ressaltando que reconhecimento “não significa renunciar à verdade nem permanecer em silêncio sobre eventos que consideramos graves e que marcaram esta campanha presidencial”. Entre os atropelos denunciados por Cepeda estão “as descaradas intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em favor do candidato De La Espriella” e a “massiva compra de votos” para a candidatura da extrema direita. Além disso condenou “o uso de sofisticadas artimanhas da inteligência artificial”, fatos que “questionam abertamente a legitimidade do próximo governo”.
O Pacto Histórico formará o principal bloco de minoria em ambas as casas legislativas, enquanto De la Espriella – sem contar com um grupo parlamentar próprio expressivo – buscará construir uma coalizão com outros partidos vinculados à oligarquia vende-pátria.
“Atuaremos como uma oposição democrática, vigilante e construtiva, mas também firme e inabalável na defesa dos direitos do povo”, enfatizou Cepeda, que tem direito a uma cadeira no Congresso.
Cepeda e o presidente Gustavo Petro haviam declarado após a divulgação preliminar no domingo (21) que aguardariam os resultados oficiais e definitivos antes de emitir um pronunciamento conclusivo.
O candidato progressista ironizou o comportamento de “setores da extrema direita de buscar nossa divisão [com Petro]. Que não se equivoquem: nossa unidade e articulação são sólidas”. “Estamos unidos por uma longa história de amizade pessoal e pela construção de um projeto político. Estamos unidos por identidades compartilhadas e por uma história de lutas comuns”, enfatizou Cepeda, reafirmando que continuarão trabalhando juntos para impulsionar a transformação social e democrática da Colômbia.
PACTO HISTÓRICO FIRME EM DEFESA DA PAZ, DA LIBERDADE E DA JUSTIÇA SOCIAL
Em manifesto público, a bancada do Pacto Histórico (ampliada para 42 deputados federais e 25 senadores) reafirmou a defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários, a educação pública, a paz e as liberdades democráticas, atuando com determinação frente a qualquer retrocesso em matéria de justiça social.
A bancada referendou sua lealdade ao mandato popular, destacando seu compromisso com o “projeto de mudança” iniciado pelo presidente Petro e com as reformas defendidas em benefício da ampla maioria da população.
Da mesma forma, os congressistas expressaram apoio à plataforma de governo defendida por Iván Cepeda e Aida Quilcué, que contou com o respaldo de 12,7 milhões de colombianos nas urnas.
Os congressistas manifestaram gratidão aos mais amplos setores que se mobilizaram pela vida e pela justiça social, incluindo a juventude, os movimentos sociais, as mulheres, os trabalhadores rurais, os afrodescendentes e os povos indígenas. Realçando sua identidade com a pátria, ratificaram seu compromisso de contribuir para um amplo Acordo Nacional que defenda a democracia e preserve a paz, sem abandonar o projeto de transformação com redistribuição de renda.
ESPRIELLA VEM NA CONTRAMÃO DA NAÇÃO
Com binacionalidade, tendo jurado fidelidade à bandeira dos Estados Unidos, com quatro filhos norte-americanos, De la Espriella contou com o apoio descarado de Trump por quem declarou mais de uma vez profunda admiração.
Sua “trajetória de sucesso” começou advogando para narcotraficantes e mafiosos paramilitares, tendo inclusive fundado a Fundação para a Promoção de “Ideias e Ações de Paz” (Fipaz), organização laranja que operava para as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), nome de fantasia do cartel, no assim chamado “processo de desmobilização” de 2004. Seu objetivo era negociar falsos depoimentos para livrar a cara de facínoras, como comprovado pelo Centro Nacional de Memória Histórica, Comissão da Verdade e em sentença da Justiça e Paz.











