CTB: “Não há desenvolvimento possível sem controle nacional sobre recursos estratégicos”

Foto: Divulgação/Serra Verde

Publicamos, a seguir, artigo da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB):

Terras raras e soberania nacional: o Brasil não pode repetir o papel de colônia exportadora

O debate sobre a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos reacende uma questão central para o futuro do país: quem controla nossas riquezas e a serviço de quem elas serão utilizadas? Em um momento em que o Brasil volta ao centro das disputas globais por recursos estratégicos, a resposta a essa pergunta definirá não apenas o rumo da economia, mas também o grau de soberania nacional.

As chamadas terras raras — um conjunto de 17 minerais essenciais para tecnologias de ponta, como carros elétricos, transição energética e equipamentos eletrônicos — colocam o Brasil em posição privilegiada no cenário internacional. No entanto, essa vantagem pode rapidamente se transformar em mais um capítulo de dependência, caso o país opte por manter o histórico modelo de exportação de matéria-prima bruta.

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil alerta: não há desenvolvimento possível sem controle nacional sobre recursos estratégicos. A simples extração e venda dessas riquezas para empresas estrangeiras reproduz uma lógica colonial, na qual o Brasil fornece insumos baratos enquanto importa produtos industrializados a preços elevados — perpetuando desigualdades e limitando o crescimento econômico.

A própria fala do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio aponta um caminho correto ao afirmar que o país não pode se limitar a exportar matéria-prima. Mas, na prática, movimentos como a venda de ativos estratégicos para grupos estrangeiros — como no caso da mineradora em Goiás — acendem um sinal de alerta. Não se trata apenas de legalidade, mas de projeto de país.

Para a CTB, é fundamental que qualquer política sobre minerais críticos esteja baseada em três pilares:

  • Soberania nacional sobre o subsolo e os recursos naturais
  • Industrialização interna, com geração de emprego e renda no Brasil
  • Proteção dos trabalhadores e do meio ambiente

A exploração de terras raras não pode ser guiada apenas pela lógica do mercado. É preciso garantir que essa riqueza seja transformada em desenvolvimento concreto para o povo brasileiro — com investimento em tecnologia, fortalecimento da indústria nacional e valorização do trabalho.

Além disso, é indispensável destacar que a mineração, historicamente, tem sido um setor marcado por acidentes, precarização e impactos sociais profundos. Sem regulação forte e fiscalização efetiva, o avanço sobre esses recursos pode significar mais riscos à vida dos trabalhadores e das comunidades.

O Brasil não pode aceitar que suas riquezas sejam entregues enquanto sua população segue enfrentando desemprego, baixos salários e condições de trabalho inseguras. Defender as terras raras como patrimônio nacional é defender emprego, dignidade e futuro.

Mais do que nunca, é hora de romper com o papel de exportador de commodities e afirmar um projeto soberano de desenvolvimento. Porque riqueza que sai do país sem gerar benefícios para o seu povo não é progresso — é exploração.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *