Ilhan Omar, que teve sua casa invadida por agentes federais, denuncia a operação como uma indevida tentativa de instrumentalizar as forças de segurança a fim de intensificar a campanha de intimidação política contra seu posicionamento opositor aos desmandos do governo Trump
De origem somali, a deputada pelo Partido Democrata declarou nesta segunda-feira (12) que não se deixará silenciar: “Estou bem. Não se enganem: trata-se de uma tentativa de atacar inimigos políticos e de utilizar as forças da ordem federais como arma. Há dez anos, Trump vem me atacando com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não me calarão”.
A intervenção federal, que requenta e inventa acusações, foi realizada em coordenação com o Escritório de Investigações de Segurança Interna e o Departamento de Justiça e é parte de uma investigação criminal em andamento onde a deputada é acusada de fraude imigratória baseando-se em documentação processada por seu pai quando Ilhan era criança.
Com base nesta insignificância, foi instalado um processo pelo chefe de fronteira, Tom Homan, iniciado em meados de setembro e no qual um procurador federal indicou ainda que o prazo de prescrição poderia influenciar as acusações sobre seu casamento em 2009.
Após a operação denominada de busca e apreensão, o gabinete da deputada Omar enfatizou que “essa operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) de Trump é um abuso de poder ultrajante”.
O seu gabinete acrescentou que “agora, esses ataques se intensificaram em uma operação federal sem sentido. A congressista não fez nada de errado. Nenhum presidente deveria poder usar o poder do governo federal para intimidar seus inimigos políticos”.
PRIMEIRA MULHER MUÇULMANA A CHEGAR AO CONGRESSO DOS EUA
Ilhan Omar, que representa o quinto distrito congressional de Minnesota desde 2019, é uma figura da ala esquerda do Partido Democrata e a primeira mulher muçulmana de origem somali a chegar à Câmara dos Representantes.
Embora o interesse dos republicanos no histórico de Omar remonte a anos, vale ressaltar que esta operação ocorreu três semanas antes das eleições de meio de mandato de novembro, nas quais Omar busca a reeleição. Ela venceu a disputa de 2024 por uma margem de 50 pontos percentuais.
Historicamente, o Departamento de Justiça tem procurado evitar ações investigativas públicas que envolvam um candidato nos 60 dias que antecedem eleições primárias ou gerais.
Dirigentes democratas aproveitaram o momento para apontar o caso como o exemplo mais recente do que classificaram como uma “instrumentalização contínua e corrupta” contra aqueles que Trump percebe como seus adversários.
Eles questionaram o momento escolhido para a operação, dado o protocolo estabelecido pelo Departamento de Justiça de evitar medidas investigativas ostensivas que envolvam candidatos políticos na fase final que antecede o pleito.
“ATAQUES PESSOAIS E ACUSAÇÕES INFUNDADAS”
“Durante anos, Donald Trump e os extremistas de ultradireita atacaram implacavelmente a deputada Omar com acusações pessoais vis e acusações infundadas”, afirmaram em comunicado conjunto o líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries e os deputados Katherine Clark e Pete Aguilar.
“Agora, a menos de 30 dias das eleições de meio de mandato, sua violenta maquinaria de deportações em massa invadiu a casa de uma integrante do Congresso legitimamente eleita e de sua família”, denunciaram.
Os parlamentares prometeram “garantir a plena responsabilização” pelo que classificaram como um “abuso de poder arbitrário”.
“Os americanos enxergam essa situação pelo que ela é”, escreveu o governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, nas redes sociais. “O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição”, registrou.
O senador norte-americano por Vermont, Bernie Sanders, também se manifestou, acusando Trump de utilizar o governo federal para intimidar seus adversários políticos e silenciar aqueles que discordam de sua administração.
“OBSESSÃO DOENTIA E PERTURBADORA”
Omar tem sido reiteradamente alvo de ataques de Trump, que acusou a comunidade somali norte-americana de ser uma ameaça a Minnesota em meio a uma onda de declarações anti-islâmicas. Omar classificou a atenção que Trump dedica a ela como uma “obsessão doentia e perturbadora”.
Na semana passada, Trump chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos por Michigan e muçulmano, de “extremista radical” e “simpatizante de terroristas”, enquanto declarava apoio ao adversário republicano de El-Sayed, Mike Rogers.
Em fevereiro, o insolente Trump afirmou que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, de Michigan, que também é muçulmana, deveriam ser “internadas em instituições psiquiátricas” e enviadas de volta para “o lugar de onde vieram”.
As duas parlamentares haviam criticado Trump durante seu discurso sobre o Estado da União, no qual o presidente elogiou o endurecimento da política de imigração de seu governo e as ações de fiscalização migratória.











