Com 98,2% dos votos apurados, a herdeira de Fujimori volta a ficar minimamente à frente e decisão dependerá ainda da revisão de 1500 atas contestadas
De acordo com o órgão eleitoral do Peru, a candidata Keiko Fujimori abriu uma diferença mínima – 1.078 votos (às 01h45, horário local) – sobre o progressista Roberto Sánchez nesta quinta-feira (11), com 98,255 % das urnas apuradas do segundo turno da disputa da presidência. 9.035.626 votos (50,003%) a 9.034.548 votos (49,997%), segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Como registrou o jornal peruano La Republica, “Keiko e Roberto Sánchez protagonizam a chegada mais apertada da história”. A eleição foi no domingo (7), com 27 milhões de peruanos aptos a votar. As pesquisas de boca de urna haviam configurado um empate técnico.
Sánchez, do Juntos pelo Peru, que chegou a estar cinco pontos atrás, ultrapassara Keiko, da Força Popular e herdeira da ditadura Fujimori, menos de 24 horas após o início da apuração, graças à votação em massa no interior andino.
Agora, com os votos dos peruanos que residem no exterior, principalmente Estados Unidos e Japão, a situação se inverteu. Nesse grupo, Fujimori recebeu 63,42% dos votos, enquanto Sánchez obteve 36,57%.
A autoridade eleitoral peruana esclareceu que o resultado definitivo ainda pode levar dias para ser proclamado. A votação é feita com cédulas de papel e as atas precisam ser transportadas até os centros de processamento. Em diversas regiões da Amazônia e dos Andes, o transporte é realizado por embarcações ou por longos trajetos terrestres até locais com acesso às autoridades eleitorais.
As atas contestadas, correspondendo a aproximadamente 480.000 votos, estão sendo revisadas pelos Júris Eleitorais Especiais, com a contagem final podendo “levar de duas semanas até o final do mês”, dependendo das observações registradas na impugnação. E, dada a diminuta diferença entre os dois candidatos, podendo definir quem ocupará o Palácio Pizarro em Lima. A posse do novo presidente será no dia 28 de julho.
Sánchez, que durante a campanha cobrou de Keiko o respeito ao resultado da eleição, conclamou a que a contagem “prossiga dentro dos padrões de uma eleição transparente”. Keiko, que perdeu as três eleições anteriores que disputou (2011,2016 e 2021), o que contestou, agora diz que aceitará o resultado oficial “qualquer que seja ele”. Ela disse ainda que “serão dias longos” e que ainda não existe um vencedor definido.
Filha do ditador Fujimori, derrubado pela mobilização popular e preso depois de uma década de desmandos e corrupção, Keiko se apresentou como a candidata de Trump e da restauração dos laços com Washington, fez campanha pela deportação dos imigrantes e contra a “criminalidade”.
Sánchez, ex-ministro de Pedro Castilho, o presidente deposto pelo Congresso controlado pelos fujimoristas e neoliberais, em sua campanha chamou a industrializar o país, a fortalecer o mercado interno e os direitos, a fazer a reforma agrária e a convocar um referendo para revogar a constituição da ditadura, imposta em 1993, ainda em vigor.
Sob os altos preços internacionais do cobre e do ouro, as duas principais exportações peruanas, e de investimentos como o megaporto de Porto de Chancay, com participação chinesa (60%) e peruana (40%), o crescimento do país tem se mantido na ordem de 3% ao ano ou mais. A China se tornou o principal parceiro comercial do país.
Mas esse crescimento não chega à imensa maioria da população, com a informalidade beirando os 70%, quase 30% da população vivendo em situação de pobreza. Ao mesmo tempo, sob o controle fujimorista do Congresso peruano, foram aprovadas as chamadas “leis pró-crime”, que debilitaram a capacidade de investigar e processar as organizações criminosas e, coincidentemente ou não, ocorreu uma explosão da deliquência, o que Keiko Fujimori buscou transformar em pretexto para sua campanha.











