Em resposta ao desaforo de Trump que busca intimidar a Espanha com a suspensão de todas as relações comerciais com o país, designando-o de “um parceiro terrível na Otan”, a ministra ibérica da Saúde, Mónica García, afirmou que Trump rotula assim porque seus dirigentes “não aceitam chantagens ou ameaças”.
A ministra espanhola afirmou que a Espanha “é um país soberano e democrático que defende o multilateralismo e a paz”. “O terrível é confundir diplomacia com intimidação”, acrescentou.
As tensões entre Trump e o governo espanhol se intensificaram desde o início dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, devido à determinação de Madri rejeitando essa agressão e sua recusa em envolver a Espanha na guerra, impedindo a utilização das bases militares de Rota e Morón para operações relacionadas com os ataques. A Espanha também tem mantido sua posição de recusa em elevar os gastos militares como tem exigido Trump aos governos europeus.
Em declaração feita na quarta-feira passada, durante uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, na Turquia, Trump afirmou ter ordenado ao seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, que suspendesse todas as relações comerciais com a Espanha, incluindo visitas.
MADRI SE RECUSA A AUMENTAR GASTOS COM A OTAN
O presidente republicano também criticou Madri por se recusar a aumentar os gastos com defesa da OTAN para 5% do PIB, exigência recente de Trump aos europeus.
O governo espanhol, por sua vez, preparado para o arrogante ataque de Trump, respondeu em comunicado que “recebe essas declarações com calma e normalidade”.
Fontes do governo espanhol enfatizam que Washington se beneficia mais das relações comerciais bilaterais do que Madri, lembrando que a Espanha faz parte da União Europeia (UE), que é uma união comercial e não pode ser desmembrada atingindo um determinado Estado-membro.
Durante a 79ª Assembleia Mundial da Saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça, o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, lamentou que os Estados Unidos já tenham gasto bilhões de dólares em uma guerra contra o Irã, cujas consequências humanitárias e geopolíticas serão “devastadoras”.
“O maior risco para a saúde global é a falta de consciência de que, em apenas alguns meses, o país [EUA] que cortou US$ 18 bilhões em saúde global gastou mais de US$ 29 bilhões em uma guerra devastadora contra o Irã”, afirmou, referindo-se ao valor anunciado pelo Pentágono sobre os gastos de Washington em sua guerra contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro.
Em outro trecho de seu discurso, Sánchez criticou a postura unilateralista de alguns países que tentam impor sua dominância no cenário internacional, alertando que Madri defende o “bom senso” ao invés da guerra.
“NÃO HÁ SOLUÇÃO MILITAR PARA ORMUZ”
Em entrevista ao Financial Times (FT), o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, enfatizou que Madri é uma “voz de destaque” na defesa da ordem internacional baseada em regras, após críticas recebidas pelo país por sua rejeição às políticas agressivas de Trump, rejeitando as insinuações de que a Espanha se tornou uma exceção na política externa europeia.
Questionado sobre se seu país participaria de uma missão da Otan para garantir a segurança do Estreito de Ormuz caso um possível acordo entre os EUA e o Irã fracassasse, Albares enfatizou que seu país “não participará de nenhuma ação que possa agravar a situação. E, acima de tudo, acreditamos que não há solução militar para esta crise”, acrescentou.










