Pesquisa global revela que aumenta significativamente a simpatia pela China socialista e o repúdio às guerras de rapina do império
O jornalista norte-americano Ben Norton, editor do site Geopolitical Economy Report, divulgou esta importante pesquisa em seu site e chama a atenção para o fato de que o órgão que constatou a debácle americana não ser nem antiamericana e nem pró-China. Pelo contrário, a “Aliança das Democracias”, que realizou o estudo, é financiado por grandes corporações, inclusive norte-americanas.
Os estudiosos da “Aliança das Democracia“, órgão que realizou a pesquisa, observaram que o isolamento político dos EUA vem crescendo nas últimas décadas enquanto o prestígio da China socialista cresce sem parar.. Há também uma intensa desaprovação às guerras provocadas pelo imperialismo e seus satélites. Confira os resultados do estudo mostrados no artigo de Ben Norton!
BEN NORTON (*)

Um estudo global abrangente que entrevistou dezenas de milhares de pessoas em quase 100 países constatou que a grande maioria vê os Estados Unidos como a maior ameaça ao mundo.
Ao mesmo tempo, cada vez mais países dizem preferir a China aos EUA. A taxa de aprovação da China subiu dramaticamente no Sul Global, em particular, onde o apoio aos EUA despencou.
Esses foram os resultados do Índice de Percepção da Democracia 2026, um estudo anual conduzido por um grupo chamado Aliança das Democracias.
A Aliança das Democracias não pode ser acusada de forma alguma de ser “pró-China” ou “anti-EUA”. A organização foi fundada por Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da OTAN e ex-primeiro-ministro de direita da Dinamarca. Também é financiado por um elenco de órgãos governamentais europeus, grandes corporações americanas, grupos ligados ao governo dos EUA e até mesmo Taiwan.
Algumas das organizações que financiam a Aliança das Democracias incluem Palantir, Microsoft, o European Endowment for Democracy da UE, a rede de direita Atlas Network, a Freedom House patrocinada pelo governo dos EUA e a Fundação para a Democracia de Taiwan.
Apesar dessas ligações, o Índice de Percepção da Democracia de 2026 do grupo chegou a algumas conclusões que, sem dúvida, enfurecerão falcões e defensores da Guerra Fria em Washington.
A pesquisa perguntou a 23.968 entrevistados em 84 países qual país eles consideram ser “a maior ameaça ao mundo”.
A maioria das pessoas em 65 dos 84 países disse que os Estados Unidos são o maior perigo.
Outros 10 países (quase todos na Europa) disseram que a Rússia é a maior ameaça. Sete (na Ásia Ocidental e Norte da África), disse Israel. Israel disse o Irã. O Japão disse China.
O Índice de Percepção da Democracia também entrevistou pessoas em 97 países e perguntou se elas acham que os EUA deveriam “ter bases militares em seu país”.
A maioria das pessoas em 86 países disse não.
Houve apoio claro às bases militares dos EUA apenas em quatro das 97 nações pesquisadas: Israel, Polônia, Porto Rico e Coreia do Sul.
A opinião popular sobre os Estados Unidos também caiu drasticamente, segundo a pesquisa.
O Índice de Percepção da Democracia constatou que os EUA têm percepção líquida negativa em 74% dos países pesquisados.
Os EUA eram populares apenas em um pequeno punhado de países, como Israel, República Dominicana, Geórgia e Nigéria.
Os EUA são os mais odiados na Europa, Ásia Ocidental e Norte da África, e na região Ásia-Pacífico.
Em contraste, a pesquisa constatou que a China está cada vez mais popular no mundo.
A maioria das pessoas em 63 dos 83 países pesquisados disse preferir a China aos EUA.
O relatório observou que os EUA têm o maior nível de apoio em Israel, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Ucrânia — mas destacou que essas são “exceções”.
A China era especialmente popular na Ásia Ocidental, Norte da África, África Subsaariana, Europa e região Ásia-Pacífico.
Além disso, o estudo perguntou a pessoas de 98 países o que pensam sobre a guerra dos EUA contra o Irã. (A pesquisa foi realizada de 19 de março a 21 de abril de 2026, e os EUA lançaram unilateralmente uma guerra de agressão contra o Irã em 28 de fevereiro.)
Uma pluralidade de nações, 41 das 98, apoiou o Irã. Apenas 28 disseram que estão do lado dos EUA. (Os outros 29 estavam divididos ou não estavam claros.)
O Índice de Percepção da Democracia também perguntou a pessoas em 98 países se apoiam Israel ou Palestina.
Uma pequena maioria, 51 dos 98, disse apoiar a Palestina. Apenas 17 países preferem Israel.
Israel tem seu maior nível de apoio na Ucrânia, EUA, República Dominicana, Geórgia e Panamá.
Outra pergunta que a pesquisa fez foi se as pessoas acham que seu país está “indo na direção certa”.
A nação número um, com o maior nível de otimismo, foi a China.
Os únicos países no hemisfério ocidental onde a maioria das pessoas disse sim foram El Salvador e Nicarágua (que é governada pela Frente Sandinista).
Alguns dos níveis mais baixos de otimismo estavam na França, Porto Rico, Líbano, Alemanha e Nigéria.
(*) Jornalista, economista político, editor do Geopolítica e Economia











