Flávio quer bajudar Trump depois dos novos ataques dos EUA contra o Judiciário brasileiro

Flávio Bolsonaro prometeu vender o Brasil a Trump na última vez em que esteve nos EUA (Foto: Reprodução)

Candidato da extrema-direita está com as malas prontas para tentar encontrar o inquilino da Casa Branca. Na bagagem, fartos gestos de bajulação e subserviência

Flávio Bolsonaro, o candidato da extrema-direita à Presidência da República, depois de ter sido flagrado pedindo mais de R$ 130 milhões ao banqueiro-presidiário Daniel Vorcaro para o autodenominado “filme” do pai, depois de começar a despencar nas pesquisas de opinião, resolveu pedir socorro ao atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump.

Documentos apontam que pelo menos R$ 61 milhões foram transferidos de uma empresa ligada a Vorcaro para a produção de “Dark Horse”.

O senador-candidato está de malas prontas para embarcar para os EUA na próxima terça-feira, numa tentativa desesperada de encontrar-se com Trump, a quem ele e os integrantes do clã Bolsonaro bajulam há tempos.

Trump não tem um único voto no país, mas Flávio acha que pode salvar a sua pele encontrando-se com ele, mesmo depois do encontro do presidente Lula, quando o presidente brasileiro mostrou-se altivo na defesa dos interesses nacionais, contrariamente a Bolsonaro, que, no ápice de sua sabujice, chegou a bater continência para a bandeira norte-americana.

Não por acaso, não tem faltado a bandeira americana – junto com a israelense, do genocida e neonazista Benjamin Netanyahu – nas manifestações cada vez mais desidratadas dos bolsonaristas país afora.

Como se sabe, a crise que explodiu na campanha de Flávio Bolsonaro teve como estopim a revelação feita pelo site The Intercept Brasil com a exibição do áudio do senador dirigindo-se a Vorcaro para pedir dinheiro, tratando-o como “meu irmão”.

Dias depois, confessou ter se reunido com o banqueiro que se encontra no epicentro da tormenta que abalou os alicerces do bolsonarismo no país, não sem antes tentar, cinicamente, empurrar crise para o governo do presidente Lula.

“Ele não poderia sair da cidade de São Paulo, e eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história, dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco”, disse Flávio.

A realidade, no entanto, falou mais alto e, hoje, dia após dia, surgem elementos novos revelando a simbiose entre o banqueiro-presidiário e o bolsonarismo.

Flávio socorreu-se com o irmão, Eduardo, o conspirador-mor da República, para tentar uma agenda com Trump, mas, até o momento, nada foi confirmado nesse sentido. A embaixada dos EUA no Brasil e a Casa Branca mantiveram-se, até o momento, no silencio sobre o assunto.

Enquanto a comitiva de Flávio Bolsonaro se prepara para um encontro nada confirmado com Trump, que deve render-lhe novos e surrados gestos de bajulação, os Estados Unidos escalam sua pressão sobre o Judiciário brasileiro.

A Justiça dos Estados Unidos autorizou que as empresas Rumble e Trump Media notifiquem o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por email em um processo sobre liberdade de expressão.

Tribunal federal da Flórida, na última sexta-feira (22), acatou pedido das megacorporações digitais norte-americanas, as mesmas responsáveis pelo financiamento bilionário à última campanha de Trump à Casa Branca, e resolveram processar o ministro Alexandre de Moraes por odenar o bloqueio de perfis e a retirada de conteúdos das plataformas digitais.

As empresas americanas têm 30 dias para enviar o comunicado. Elas precisam comprovar o envio da mensagem para os endereços eletrônicos ligados ao STF e ao gabinete do ministro.

O juiz aceitou o email como forma válida de contato. A corte avaliou que um dos endereços já serviu para comunicação com a Rumble (empresa que possui parceria com o grupo de comunicação de Trump, que já recebeu recursos de figuras ligadas ao Partido Republicano), em 2025, e o outro é público no site do tribunal.

Moraes pode ser julgado sem apresentar sequer defesa se não responder no prazo. Caso o ministro ignore a notificação, as empresas podem pedir o registro de revelia, e a ação seguirá apenas com os argumentos dos autores.

A ação civil tramita na Justiça americana desde fevereiro de 2025. A Rumble e a Trump Media, empresa que administra a rede Truth Social, acusam, sem provas, o ministro de emitir ordens secretas de censura extraterritorial.

As autoras pedem que as decisões do STF sejam consideradas ilegais nos EUA. Elas argumentam que as ordens violam a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante regras mais flexíveis para a liberdade de expressão.

A Rumble foi proibida de atuar no Brasil após descumprir ordens judiciais. A plataforma de vídeos abriga produtores de conteúdo restritos no país e se recusou a indicar um representante legal em território nacional.

Por sua vez, um interlocutor do presidente Lula afirmou à BBC News Brasil, em caráter reservado, que a gestão do petista não pretende criar obstáculos à eventual visita de Flávio a Trump ou cobrar explicações da Casa Branca sobre o evento.

A avaliação de interlocutores do governo Lula é de que a ida de Flávio a Washington é uma tentativa da sua pré-campanha de mudar o foco das suspeitas sobre seu vínculo com Vorcaro e produzir alguma agenda positiva. Apesar disso, o governo deverá acompanhar o encontro à distância e avaliar os sinais enviados por Trump durante e após a reunião.

A avaliação é de que, após o último encontro entre Trump e Lula e a queda de parte das tarifas, os contatos entre os dois nos últimos meses dificultaram a atuação de uma suposta ala mais radical dentro do governo Trump ligada a bolsonaristas como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo, ambos vivendo nos Estados Unidos.

A avaliação de parte do governo Lula é de que, apesar do tom amistoso do encontro mantido entre os dois em maio, isso não significa que o Palácio do Planalto veja neutralidade absoluta nos Estados Unidos e que setores do governo norte-americano prefiram um governo subalterno a Washington, especialmente em temas como China, minerais críticos, big techs e política externa, como teriam se a extrema-direita bolsonarista retornasse ao Palácio do Planalto.

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