O governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, propõe avançar na desapropriação do terreno onde está instalada a Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), suspeita de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a maior sonegadora de impostos do país.
Estima-se que a dívida da Refit com os Estados do Rio e São Paulo ultrapasse os R$ 30 bilhões.
A refinaria Refit, do empresário foragido Ricardo Magro, acumula uma dívida de R$ 14,3 bilhões de ICMS com o Estado do Rio.
Ricardo Couto ofereceu o terreno da Refit, situado na Zona Norte do Rio, para a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, que teria mostrado interesse em ficar com a área para a estatal – que busca expandir sua capacidade de refino -, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do Globo. O valor da desapropriação ainda está em estudo.
Com a Receita Federal, a Refit tem débitos estimados em R$ 52 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda.
Desde de janeiro deste ano, a refinaria está interditada por decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que constatou falhas substanciais em diversas barreiras de segurança, como no sistema de combate a incêndio, ausência de estudos de análise de riscos, deficiências no gerenciamento de emergências, sistema de detecção de gás, sistema de detecção de fogo e outros elementos críticos de segurança operacional.
Neste mês de maio, a Polícia Federal deflagrou uma nova operação para investigar possíveis fraudes fiscais, ocultação de patrimônio e evasão de divisas cometidos pela Refit. Desta vez, o alvo de busca e apreensão pela polícia foi o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Segundo relatório da PF, Castro atuou de forma decisiva para proteger e favorecer os interesses do Grupo Refit.
Já o empresário Ricardo Magro teve sua prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Magro é apontado como líder da organização desta criminosa, que teria montado um esquema criminoso para sonegar impostos, lavar dinheiro e ocultar patrimônio no Brasil e no exterior. O paradeiro dele é desconhecido, e seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol – mecanismo internacional para a captura de foragidos da Justiça.
A PF também investiga o repasse de R$ 14,2 milhões, realizado em 2024, de um fundo de investimentos ligado à refinaria Refit para uma empresa de familiares do senador e ex-ministro do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP-PI).
A transação foi revelada pelo jornal O “Estado de S. Paulo” e é mencionada no pedido da Polícia Federal encaminhado ao STF em 8 de maio, que levou à deflagração da “Operação Sem Refino” da PF.
Em agosto de 2025, a PF deflagrou a Operação Cadeia de Carbono, que teve também como alvo a Refit.
A polícia investigativa apura se a antiga Refinaria de Manguinhos estava sendo usada para abastecer redes de postos de gasolina que estão sob controle do PCC. A organização criminosa estaria usando a estrutura no mercado de combustíveis para lavar dinheiro do crime e ocultar os donos das divisas com a ajuda de bancos e fintechs instaladas na rua Faria Lima, em São Paulo.
PETROLEIROS DEFENDEM ESTATIZAÇÃO DA REFIT
O Sindipetro-RJ defende a retomada das operações da refinaria, através da estatização. A entidade aponta que a paralisação da planta de refino está trazendo prejuízos aos trabalhadores diretos e na economia local da região, onde está instalada a unidade de refino, o que prejudica também empregos indiretos.
“A paralisação está causando prejuízos aos trabalhadores, culminando em mais de duas mil demissões e suspensão de benefícios como plano de saúde dos ativos e aposentados da empresa. No momento, só restam pouco mais de 100 funcionários na Refinaria de Manguinhos”, disse a entidade, em nota divulgada no início de maio.











