Gustavo Petro acusa Tel Aviv de interferir nas eleições na Colômbia

Petro acusou Israel de usar softwares para intervir nas eleições da Colômbia (Alberto Estévez/EFE)

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou recentemente Israel de fazer uma campanha de interferência nas eleições presidenciais do país a favor do candidato de extrema-direita e pró-Israel, Abelardo de la Espriella.

A acusação de Petro foi postada na rede social X, em 21 de junho, quando uma contagem apontou a vitória de Espriella por uma pequena margem. Petro acusou Israel de ter hackeado o sistema de contagem de votos e disse que Israel seria o único país com essa capacidade.

“Alertei que o software dos irmãos Bautista estava vulnerável, segundo a decisão do Conselho de Estado de 2018, e que deveria ser substituído por software público”, disse Petro. “Solicitei em tempo hábil uma auditoria especializada no software dos irmãos Bautista, e o registrador não permitiu.”

“Bem, hoje temos evidências de uma mudança nos endereços IP de vários servidores do registro nacional”, disse. “Isso significa que o software foi comprometido e outros escreveram dados para seções eleitorais e locais de votação. A única entidade no mundo capaz de fazer isso é o Estado de Israel.”

Gustavo Petro é um grande crítico de Israel e do genocídio em andamento em Gaza e em 2024 anunciou o rompimento dos laços diplomáticos com Israel. Ele também se uniu à África do Sul na Corte internacional de Justica contra Israel e proibiu empresas colombianas de terem negócios com Israel. Espriella prometeu reverter todas as medidas de Petro.

As acusações de interferência das eleições na Colômbia acontecem em meio a uma investigação por parte do governo da França contra uma empresa de tecnologia israelense. O órgão do governo francês, Viginum, responsável pelo combate à interferência digital estrangeira, acusou a empresa israelense BlackCore por campanhas de influência digital e propaganda em eleições de países europeus, africanos e até nos EUA.

Viginum constatou que o primeiro-ministro da Escócia, John Swinney, foi alvo de uma campanha de desinformação promovida pela BlackCore durante as eleições na Escócia. A empresa israelense usou de milhares de contas falsas em um ataque coordenado contra as postagens de Swinney nas redes sociais.

Autoridades francesas acusaram a BlackCore de fazerem uma campanha de difamação contra candidatos de esquerda pró-Palestina em campanha eleitorais na França, Escócia, Togo, Angola e na cidade de Nova Iorque. A BlackCore se descreve como uma “empresa de elite, de influência, cibersegurança e tecnologia construída para a era moderna da guerra da informação” e afirma que fornece a campanhas políticas e governos ferramentas para “moldar narrativas”.

OS AUDIOS VAZADOS DO ‘HONDURASGATE’

Áudios vazados em maio revelaram conluio dos EUA e Israel para transformar Honduras em um hub para a extrema-direita na América Latina e Caribe. Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras, condenado a 45 anos por narcotráfico, recebeu em dezembro de 2025 um indulto do presidente norte-americano, Donald Trump.

Batizadas de “Hondurasgate”, as gravações, datadas entre janeiro e abril de 2026, mostram o atual presidente de Honduras, Nasry Asfura, a vice María Antonieta Mejía, o presidente do parlamento hondurenho, Tomás Zambrano e o próprio Juan Orlando Hernández, mencionando um plano dos EUA e Israel contra países com governos de esquerda na América Latina.

Hernández relata em uma das gravações que o apoio financeiro para sua soltura veio de “uma junta de rabinos e de pessoas que apoiavam Israel”. Como forma de pagamento pelo indulto dado por Trump, os políticos hondurenhos prometeram adotar medidas que favoreçam empresas americanas e até a construção de uma base militar em solo hondurenho.

“É preciso abrir um pouco os olhos, a situação global não está tão boa. O primeiro-ministro de Israel vai nos dar apoio. Estamos muito agradecidos a ele. Eles tiveram muito a ver, na verdade tiveram tudo a ver com a minha saída e negociação”, disse Hernández, em uma gravação com data de 20 de janeiro de 2026.

“Presidente, que prazer saudá-lo. Já tivemos uma sessão privada com os investidores e eles estão muito positivos quanto à expansão de Roatán e da Zede, e em Comayagua, também para Palmerola. Vamos mover outra Palmerola, especificamente em Roatán, que está muito próspera. Uma base, isso já negociamos. Também o interoceânico. Esse projeto vamos entregar à…vamos entregar à General Electric”, conforme conversa entre o presidente de Honduras, Nasry Asfura, e Hernández, datada de 10 de fevereiro de 2026.

“Vamos ver se te podem entregar em dinheiro, mas explica-me, o que vamos fazer com isso, o que ganhamos?”, perguntou Asfura. “Vamos montar uma célula aqui, nos Estados Unidos, para que não nos rastreiem em Honduras. Vai ser como um site de notícias latino-americanas” – conversa de 30 de janeiro de 2026 entre Hernández e Asfura.

“Estive em uma chamada com o presidente Javier Milei e foi bem sucedida. Muito, muito, muito boa. E acredito que, neste ponto, podemos fazer grandes coisas para toda a América Latina. Estão chegando alguns dossiês contra o México, dossiês contra a Colômbia e, o mais importante, contra Honduras. Nesse caso, contra a família Zelaya,” dizia um dos áudios.

Na época quando os áudios vieram a público, Gustavo Petro publicou na rede social X: “É assim que funcionam as redes da extrema-direita mediática. O dinheiro vem da cocaína e de Israel”.

“É necessário que eu tenha essa liquidez porque vamos montar um escritório aqui, com o apoio de alguns republicanos, para poder atacar e extirpar o câncer da esquerda de Honduras e de toda a América Latina”, disse Hernández para a vice-presidente Mejía.

“Contava ao presidente Asfura que conseguimos falar com Javier Milei, e ele está apoiando com 350 mil dólares também. Outro grande amigo nosso do México está apoiando, já para o tema dos mexicanos. Estamos bastante prontos”, continuou Hernández.

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