Inflação desacelera em junho com quedas nos alimentos e combustíveis

Grupo Alimentos e Bebidas registrou a maior variação negativa. (Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias)

IPCA ficou em 0,16% no mês, abaixo da “expectativa” dos arautos dos juros altos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, desacelerou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10). É o menor resultado para o mês de junho desde 2023. Em junho do ano passado, o indicador havia ficado em 0,24%.

No primeiro semestre de 2026, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos 12 meses, de 4,64%, patamar inferior aos 4,72% observados até maio. 

Além do IPCA, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) também mostra uma forte desaceleração da inflação. Na passagem de maio para junho, o IGP-M cedeu de 0,84% para uma queda de 0,50%. Com este resultado, o índice acumula alta de 3,27% no ano e de 3,16% em 12 meses, ficando abaixo dos 4,39% observados no mesmo período de 2025.

Os resultados dos indicadores de inflação ficaram bem abaixo das projeções dos bancos e instituições financeiras. Ainda assim, os bancos – via seus porta-vozes em setores da imprensa – seguiram no dia de hoje com sua narrativa “profética catastrófica” para reverter a minguada redução dos juros, iniciada pelo Banco Central (BC) em março, e forçar aumentos expressivos a partir de agosto.

Atualmente a taxa básica de juros (Selic) está fixada em 14,25% ao ano, inflando a despesa pública para encher ainda mais o bolso da casta financista no país – um grupo pequeno que não produz um único prego, mas que detém o privilégio de drenar, por meio dos juros, mais de R$ 1 trilhão ao ano dos cofres da União, estados, municípios e estatais. 

Os números reais do IPCA de junho

O mês passado foi marcado pelo alívio nos preços dos alimentos, que apresentaram variação de -0,24%, após a alta de 1,33% em maio. A alimentação no domicílio recuou 0,39%, frente à alta de 1,65% registrada no mês anterior. Contribuíram para essa queda: o café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%). No lado das altas, destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).

Os combustíveis (-0,48%) também pesaram um pouco menos no bolso dos consumidores brasileiros. Em junho, foram constatados recuos em todos os combustíveis pesquisados: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).

Por outro lado, os preços das passagens aéreas subiram 7,12%, o que influenciou a alta de 0,17% no grupo Transportes, após queda de 0,46% em maio.

Já a inflação no grupo Habitação desacelerou de 1,22% em maio para 0,63% em junho, influenciada pelo recuo no subitem de energia elétrica residencial, que saiu de 3,67% para 1,53% no período.

Os preços da energia – que não podem ser afetados pelo aumento dos juros – figuram como o principal impacto individual no resultado do mês (0,06 p.p.) do IPCA. 

Além da manutenção da bandeira tarifária amarela (com acréscimo de R$ 1,885 na conta a cada 100 kWh consumidos), foram incorporados em junho aumentos nas tarifas de energia em diversas capitais: 14,89% em uma das concessionárias de Porto Alegre (alta no mês de 4,67%), 19,55% em Curitiba (4,02%) e 5,21% em Belo Horizonte (3,65%).

Variação do IPCA de junho por grupos:

Alimentação e bebidas: -0,24%
Habitação: 0,63%
Artigos de residência: 0,23%
Vestuário: 0,17%
Transportes: 0,17%
Saúde e cuidados pessoais: 0,23%
Despesas pessoais: 0,25%
Educação: -0,02%
Comunicação: 0,19%.–

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