Juros altos encarecem o crédito e inibem a demanda, alerta CNI

Foto: Gilberto Sousa/CNI

Em maio, faturamento da indústria ficou “estável” em 0,2%, após altas de 3,8% em março e 0,5% em abril

O faturamento da indústria de transformação registrou alta de 0,2% em maio, sendo o sétimo mês seguido sem queda, divulgou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última quarta-feira (8), ao apontar que o resultado reforça o quadro de desaceleração do indicador, após altas de 3,8% em março e 0,5% em abril.

No ano, até maio, o faturamento da indústria de transformação está em queda de 2,7% frente ao mesmo período do ano passado. A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, atrela a perda de desempenho do setor à permanência dos juros elevados no Brasil.

“A retração da atividade industrial nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, reforça o ambiente desfavorável no qual o setor produtivo se encontra, com a política monetária exercendo um papel relevante no encarecimento do crédito, no aumento do endividamento, na desaceleração da demanda e no desestímulo à aquisição de máquinas e equipamentos”, afirma a diretora da CNI.

Segundo a pesquisa “Indicadores Industriais” da CNI, o emprego industrial subiu 0,5% no mês de maio, o que interrompeu a sequência de duas quedas consecutivas. Contudo, os postos de trabalho do setor cederam 0,6% no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026.

Em maio, não houve crescimento das horas trabalhadas (0%), após a queda de 1,3% em abril. Nos cinco primeiros meses de 2026, o total de horas trabalhadas pelo pessoal empregado na produção está 1,6% abaixo do observado no mesmo período do ano passado.

Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu 0,4 ponto percentual, passando de 77,1% em abril para 77,5% em maio. No acumulado do ano, o uso médio do parque fabril está 0,9 ponto percentual abaixo do observado no mesmo período do ano passado.

Por sua vez, tanto o indicador da massa salarial como o de rendimento médio no setor apresentaram quedas em maio, com recuos de 3,2% e 3,3%, respectivamente. Na comparação dos cinco primeiros meses, os indicadores registram avanços de 0,8% e 1,4%, também na ordem, frente ao mesmo período de 2025.

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