Líderes do PT dizem que se Jaques Wagner, alvo da PF, “cometeu irregularidades, deve responder por elas”

Senador Jaques Wagner foi alvo de operação na manhã desta quinta-feira (18) (Foto: Waldemir Barreto - Agência Senado - Divulgação - PF)

Por seu lado, o presidente da legenda, Edinho Silva, disse em nota que confia no senador da Bahia. Wagner declarou em entrevista estar “absolutamente tranquilo”

O deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, afirmou que a Polícia Federal “está fazendo seu trabalho e quem cometeu irregularidades deve responder por elas”, após deflagração de operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) por envolvimento com o caso do Banco Master.

“O escândalo do Banco Master não é do governo Lula, é do governo de Jair Bolsonaro. Agora, se alguém de nós entrou no esquema, teve algum benefício, tem que ser investigado”, declarou o deputado.

“O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas”, completou Correia.

A PF realizou, nesta quinta-feira (18), operações de busca e apreensão em endereços ligados a Jaques Wagner, onde encontrou cerca de US$ 50 mil e 33 mil euros (R$ 453.338,90 somadas as duas moedas).

Outras lideranças próximas ao governo Lula esperam que Jaques Wagner renuncie ao cargo de líder do governo no Senado.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que confia em Jaques Wagner e que o partido apoia “todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”.

“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, continuou.

A investigação apura se Jaques Wagner recebeu propina de Daniel Vorcaro para defender os interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

Entre outras coisas, os investigadores analisam repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada ao enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o “Dudu”, e à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha.

A PF já descobriu que Vorcaro fez pagamentos para o senador bolsonarista Ciro Nogueira (PP-PI) para apresentar e defender textos que foram produzidos pelo próprio banco.

Foram encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro provas de que ele enviou pelo menos R$ 61 milhões para Flávio Bolsonaro, em uma negociação que pode ter usado a produção do filme “Dark Horse” como fachada.

WAGNER

Em entrevista ao canal Bandnews, Jaques Wagner afirmou que nunca recebeu “dinheiro do Banco Master”.

Ele declarou que fez questão de assinar a CPI do Master para não pairar dúvidas a seu respeito.

“Eu assinei a CPI do Banco Master. Não sei o que ela poderia acrescentar, porque as investigações já foram longe e, do meu ponto de vista, está tudo exposto. Mas fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação em relação a essa CPMI”, assinalou.

Ele também rebateu acusações de que teria atuado em favor dos interesse do Master no Congresso. Citou como exemplo a proposta de ampliação das garantias do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), afirmando que orientou a base governista a votar contra a medida. “O governo foi contra e eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda”, disse.

“Eu não tenho CNPJ, só tenho CPF. Não tenho empresa, não tenho nada. Tenho um apartamento onde moro e um sítio na Bahia, ambos declarados no Imposto de Renda”, sublinhou.

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