“Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, disse o presidente no discurso
O presidente Lula afirmou, nesta segunda-feira (18), que o Brasil pode fazer parcerias com outros países para a exploração das terras raras, mas “não abre mão da sua soberania”.
“Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou o presidente em evento. Lula disse que o Brasil precisa realizar um levantamento de 100% do seu território para identificar a presença de minerais e riquezas.
O discurso foi feito em um evento de inauguração de quatro linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, de Campinas. Segundo Lula, se o levantamento das riquezas no território brasileiro “depender de fazer estudo cavando buraco, vai demorar muito”.
SIRIUS
Discursando em um dos centros de pesquisa mais avançados do planeta, cujos trabalhos impulsionam o desenvolvimento e a tecnologia em diversas áreas, Lula ressaltou que investir em ciência não é um gasto. Pelo contrário, é uma necessidade fundamental para o país.
“O Brasil precisa sair do atraso a que ele foi submetido durante todo o século XX e toda a sua história. Nós vamos provar que o Brasil deixou de conquistar muita coisa porque a gente não fez investimento. E a decisão de fazer investimento aqui é porque é necessário”, frisou o presidente.
“Esse projeto aqui, que vocês chamam de laboratório, chamam de instituição, é um projeto que pode dar ao Brasil uma respeitabilidade mundial para que nenhum ser humano do mundo ache que o Brasil é inferior”, prosseguiu.
“A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês para a gente dar um salto de qualidade e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faz com que o Trump [presidente dos EUA] deixe de brigar com o Xi Jinping [presidente da China] e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, continuou.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou que o Sirius mudou o Brasil de patamar científico e tecnológico, parando de depender de instalações estrangeiras para fazer pesquisas em tecnologias estratégicas.
O Sirius, que abriga um dos maiores aceleradores de elétrons do mundo, permite pesquisas em medicamentos, vacinas, semicondutores, baterias e minerais estratégicos.
Luciana afirmou que “não existe soberania sem ciência e tecnologia. Por isso, investir em ciência é investir no futuro do Brasil”.
Saber que o Sirius “é fruto da nossa inteligência não tem preço. Patriotismo é isso. Ter paixão pelo Brasil não é retórica, é atitude. E é assim que o presidente Lula tem se comportado ao longo de sua história”.
Com os novos investimentos no Sirius, a “ciência brasileira se transforma em símbolo de um projeto nacional de desenvolvimento. O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius, mas a prova de que o Brasil pode ocupar um lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo”.
As quatro linhas de luz síncrotron inauguradas:
LINHA DE LUZ TATU – A linha de luz Tatu é a primeira a ser inaugurada no contexto da segunda fase do projeto Sirius. Financiada pelo Novo PAC, com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, será a primeira em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. A linha permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. As pesquisas desenvolvidas na Tatu poderão contribuir para avanços em áreas como telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz, além de ampliar as possibilidades de investigação em ciência de materiais e sistemas biológicos.
LINHA SAPUCAIA – A linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, além de pesquisas no contexto da parceria científica entre Brasil e China.
LINHA QUATI – A linha Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
LINHA SAPÊ – As pesquisas realizadas na linha de luz Sapê terão impactos no desenvolvimento de materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.
TERRAS RARAS
“Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos e não sei das quantas, e o Brasil só tem 30% de conhecimento do que tem nesse seu território imenso. E vai ter que fazer um levantamento de 100% do Brasil”, disse.
O presidente apontou que o Brasil não tem “veto” e nem “preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenha consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania”, completou.
As terras raras se tornaram minerais estratégicos com seu uso em tecnologias usadas na transição energética e outros equipamentos modernos, como smartphones.
Buscando se apropriar das terras raras encontradas no Brasil, o governo dos Estados Unidos agiu para que a USA Rare Earth comprasse a única mina já em atividade do Brasil, a Serra Verde, que fica em Goiás.
Fonte: Agência Gov











