Rússia e China pedem fim imediato do conflito com o Irã provocado pelos Estados Unidos

Declarações da Rússia e China se deram durante a reunião dos ministros do Exterior do BRICS na Índia (AFP)

Provocações dos EUA ao Irã são “beco sem saída”, alerta Ministério do Exterior da China. Lavrov afirma que antes do início da guerra ao Irã pelos EUA não havia problema em Ormuz

Rússia e China pediram o fim imediato da guerra imposta ao Irã, um conflito provocado e prolongado pela ganância dos EUA pelo petróleo iraniano.

As declarações à imprensa ocorreram em Nova Déli, capital da Índia, à margem de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do BRICS.

Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirmou na sexta-feira (15), que o principal dever da comunidade internacional é pôr fim imediatamente à guerra imposta pelos Estados Unidos e Israel ao Irã e alcançar um acordo duradouro, enfatizando que a situação decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz —rota marítima estratégica crucial para o comércio global de energia — não é de responsabilidade do Irã.

Lavrov criticou os países que exigem que o Irã abra a passagem sem entender “que antes de 28 de fevereiro, data do início desta agressão, não havia problema algum com o Estreito de Ormuz”.

“Precisamos entender as causas profundas de cada conflito, e entendemos qual é a causa profunda neste caso: a agressão não provocada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”, esclareceu chanceler russo.

CHINA: “O USO DA FORÇA É UM BECO SEM SAÍDA”

Em comunicado divulgado na sexta-feira pelo Ministério das Relações Exteriores, a China também denunciou o uso da força pelos Estados Unidos contra o Irã e pediu o fim imediato do conflito.

“A posição da China sobre a situação no Irã é muito clara. O conflito causou graves perdas à população iraniana e de outros países da região. Com os efeitos colaterais ainda se expandindo, o conflito impôs uma forte pressão sobre o crescimento econômico global, as cadeias de suprimentos, a ordem comercial internacional e a estabilidade do fornecimento global de energia, prejudicando os interesses comuns da comunidade internacional. Não há razão para continuar este conflito, que não deveria ter acontecido em primeiro lugar. Encontrar uma solução rápida para a situação é do interesse não apenas dos EUA e do Irã, mas também dos países da região e do resto do mundo”, afirma o texto.

“A China sempre acreditou que o diálogo e a negociação são o caminho certo e que o uso da força é um beco sem saída”, conclui o texto, reafirmando o apoio de Pequim a uma solução política para a questão nuclear iraniana e para as tensões no Estreito de Ormuz.

O Irã fechou o estreito para seus inimigos e aliados após a agressão não provocada dos Estados Unidos e do regime israelense. As autoridades iranianas começaram a implementar controles muito mais rigorosos no mês passado, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um bloqueio direcionado contra navios e portos iranianos.

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