Agora tudo pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava mentido, destacou o presidente, em entrevista na TV Record, ao comentar as discussões no STF
O presidente Lula criticou nesta terça-feira (15) o fato do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça ter mantido um longo sigilo no caso Master. “André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltava o que interessava a ele agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem estava mentido nisso”, afirmou.
Ele defendeu a abertura de todas as informações necessárias para esclarecer suspeitas envolvendo não só integrantes da Corte mas também outras pessoas como Flávio Bolsonaro, que recebeu R$ 65 milhões do dono do Banco Master. As informações sobre a investigação de Flávio nos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas só puderam vir à público depois de muita pressão.
As declarações foram dadas em entrevista ao Jornal da Record, horas depois de uma sessão extraordinária do STF marcada por uma intensa discussão entre os ministros sobre as investigações envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes.
O presidente também defendeu que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determine o esclarecimento integral das suspeitas. “O Fachin tem agora a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte. E quem fez algo tem que ser punido, tem que ser julgado”, declarou Lula.
Ele sustentou que a posição ocupada por integrantes do Supremo não deve impedir a apuração de suspeitas. “Não há ninguém, absolutamente ninguém, que possa fugir do julgamento quando há suspeitas e acusações contra ele”, disse. Em outro momento, reforçou: “Não tem trégua. É preciso investigar todos, sem distinção.”
O presidente citou ainda a necessidade de esclarecer por que ministros não participaram da análise e quem eventualmente teria mantido relações irregulares com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Vamos colocar o Brasil a nu e investigar para ver se conseguimos fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro”, afirmou.
A discussão chegou ao plenário nesta terça. O STF deveria decidir se autorizaria uma investigação sobre Moraes, mas uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes deslocou inicialmente o debate para saber se as suspeitas envolvendo Moraes e as acusações sobre a atuação de Mendonça deveriam ser julgadas conjuntamente.
Fachin defendia a análise separada; outros ministros sustentaram que a legalidade das medidas tomadas por Mendonça precisava ser examinada junto com o pedido de investigação contra Moraes. A sessão terminou sem decisão definitiva depois que Dino pediu vista durante a discussão. Com isso, o Supremo não concluiu nem a controvérsia sobre o julgamento conjunto dos casos nem a questão central sobre a abertura de investigação contra Moraes.










