Ministro do STF deu 5 dias para manifestação da Procuradoria sobre pedido de inclusão do ex-presidente e do senador no inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro por atuação nos Estados Unidos
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (26) que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste, no prazo de 5 dias, sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em inquérito que já investiga o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ou Dudu Bananinha, por atuação contra autoridades brasileiras nos Estados Unidos.
A decisão atende à petição apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu a ampliação do alcance do Inquérito 4.995. O parlamentar sustenta que há elementos que conectam Jair e Flávio Bolsonaro às ações atribuídas a Eduardo Bolsonaro no exterior.
O inquérito apura suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito relacionadas à atuação de Eduardo Bolsonaro em setores políticos e empresariais nos Estados Unidos.
FILME “DARK HORSE” ENTROU NO CENTRO DA APURAÇÃO
O pedido apresentado ao STF relaciona a investigação ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo a petição encaminhada pelo deputado Lindbergh Farias, recursos destinados ao longa teriam possível conexão com a manutenção das atividades políticas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O documento menciona negociações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro mafioso Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master, para financiar o projeto cinematográfico. Segundo reportagens citadas na petição, os valores discutidos variariam entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões.
A representação pede que a investigação apure se recursos vinculados ao filme teriam sido utilizados para lobby internacional, produção de conteúdo político, articulação com autoridades estrangeiras e campanhas de pressão contra integrantes do Judiciário brasileiro.
MORAES FIXA PRAZO DE 5 DIAS
No despacho, Moraes determinou que a PGR apresentasse parecer sobre a pertinência ou não da inclusão de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro entre os investigados.
A manifestação da Procuradoria-Geral é considerada etapa prévia antes de eventual ampliação formal do inquérito. Caberá ao procurador-geral, Paulo Gonet, avaliar se existem elementos suficientes para justificar a inclusão de ambos os nomes na investigação conduzida no STF.
Além da ampliação subjetiva do inquérito, a petição apresentada pelo deputado Lindbergh Farias solicita uma série de diligências investigativas e medidas cautelares.
Entre os pedidos estão compartilhamento de provas de investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, rastreamento financeiro por órgãos como Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Banco Central, Receita Federal e CVM (Comissão de Valores Mobiliários), além de cooperação internacional com autoridades americanas.
O documento também pede análise de movimentações financeiras, contratos, mensagens, remessas internacionais e gastos relacionados à produção do filme e à atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior.
PRESSÃO SOBRE NÚCLEO BOLSONARISTA
A decisão de Moraes ocorre em meio ao avanço de diferentes investigações que envolvem integrantes do entorno político e familiar de Jair Bolsonaro.
Na semana passada, segundo informações citadas nas reportagens, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a responsabilização de Eduardo Bolsonaro no âmbito do mesmo inquérito, que aponta atuação do ex-deputado nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras por meio de sanções e medidas diplomáticas.
Paralelamente, o caso também se conecta à crise que envolve o Banco Master e Daniel Vorcaro, cuja relação com integrantes do bolsonarismo passou a ser alvo de disputas políticas e pedidos de investigação no Congresso e no Judiciário.
DISPUTA POLÍTICA E IMPACTO NO SENADO
A eventual inclusão de Flávio Bolsonaro na investigação adiciona pressão política sobre o senador, apontado como possível nome da direita para a disputa presidencial de 2026.
Nos bastidores do Congresso, articulistas avaliam que o avanço das investigações pode ampliar o desgaste do núcleo bolsonarista.











