Relatório da PF mostra ação suspeita de Mendonça em favor de seus “protegidos”. Ele está sentado há meses em cima do escândalo milionário envolvendo a transferência de R$ 65 milhões de Vorcaro a Flávio
O ministro Alexandre de Moraes deu um basta à farra bolsonarista comandada pelo por André Mendonça que estava em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) desde o início da semana.
Ele pediu à Polícia Federal relatórios de inteligência que citam ministros do Supremo. Segundo investigadores, foi com base nesses relatórios que Moraes fez um requerimento ao presidente do Supremo, Edson Fachin, para que investigue as arbitrariedades cometidas pelo ministro André Mendonça.
Mendonça já vinha tendo um comportamento suspeito ao sentar em cima das investigações sobre o escândalo da transferência de R$ 65 milhões roubados pelo Banco Master ao senador Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo que obstruía a investigação sobre os crimes de Flávio, Mendonça abriu três inquéritos contra o filho do presidente Lula, sem que houvesse nada de concreto contra ele.
Mendonça também acobertou investigações de envolvimentos de outros ministros do STF com Daniel Vorcaro e abriu fogo contra Alexandre de Moraes, principal alvo dos fascistas nos últimos anos. A Polícia Federal apontou que o ministro André Mendonça ignorou indícios de atos ilícitos dos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques no caso Master, direcionando as investigações exclusivamente contra o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça determinou o direcionamento da investigação “única e exclusivamente” contra Moraes para incriminá-lo, diz o relatório da PF. Moraes deu o troco revelando encontros secretos entre Mendonça e o próprio Vorcaro. Ele também pediu a inclusão de Mendonça no Inquérito das Fake News. Nesta sexta-feira (4), Fachin abriu o prazo de cinco dias para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) e Mendonça se manifestem.
A PGR também pediu a nulidade do relatório de Mendonça, que revelou conversas enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro. Para Gonet, que foi citado no documento, a ordem dada à PF para investigar pessoas específicas, sem pedido da PGR ou da polícia, excede os limites de competência do ministro na fase pré-processual.
O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, pediu explicações a André Mendonça, Moraes, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também alvo de Mendonça. Fachin quer explicação dos quatro em até cinco dias úteis. As explicações devem ser enviadas por escrito ao presidente da corte. Fachin quer tudo isso antes de levar o tema para o plenário do STF.










