Nem Hitler em 36 conseguiu ser tão asqueroso quanto Trump nesta Copa do Mundo

Hitler e Trump, dois fascistas que não podiam sediar jogos internacionais ( reprodução)

Fascista por fascista, o assassino alemão pelo menos respeitou as normas olímpicas. Não permitir que seleções durmam nos EUA e expulsar juiz africano é o fim da picada. Quem massacra crianças em Gaza à luz do dia deve achar normal expelir o seu racismo para o mundo todo ver

Um país que se proponha a sediar uma Copa do Mundo não pode fazer o que Donald Trump está fazendo. Ele impediu a entrada de juízes, de dirigentes e humilhou jogadores de seleções que ele despreza. Nem um criminoso lunático e fascista como Adolf Hitler conseguiu fazer isso em 1936. Foi obrigado a seguir as regras olímpicas.

Trump mandou tudo às favas. O juiz Omar Artan, da Somália, um dos melhores juízes da África, convidado pela Fifa para apitar jogos da Copa, foi simplesmente expulso dos Estados Unidos sem nenhuma justificativa plausível. O juiz viu o seu sonho de apitar uma Copa do Mundo ser destruído pelo racismo e pela arrogância do atual governo dos EUA. Foi obrigado a voltar para a Turquia, de onde havia partido, depois de mais de 11 horas de interrogatório.

Pior ainda foi o comportamento do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que não só não protestou contra a expulsão de seu juiz, como justificou a atitude arrogante e supremacista do governo americano. Trump já havia se dirigido aos somalis como porcos, lixos e fedidos Infantino não disse nada porque o governo Trump não demonstrou o mesmo desrespeito com seleções e juízes europeus.

O governo americano deixou jogadores de Senegal na pista do aeroporto e os revistou ali mesmo. Um desrespeito descomunal. Segundo relatos, os atletas foram revistados antes mesmo de deixarem a área de desembarque. Nas imagens, agentes de segurança utilizam detectores de metal e realizam inspeções individuais. Até os sapatos dos integrantes da delegação foram checados.

O mais vergonhoso foi o que Trump está fazendo com a seleção do Irã. Incomodado com a surra que está levando no Estreito de Ormuz, ele resolveu descarregar seu ressentimento sobre os atletas e torcedores iranianos. Não permitiu que a seleção iraniana durma em território americano, mesmo que o Irã tenha que jogar as três partidas iniciais dentro dos EUA. Um absurdo completo.

Mas, não ficou por aí o descalabro. Ele proibiu que a torcida de iranianos, que reside nos EUA, compareça ao estádio. A regra da Fifa dá a cada seleção 8% dos ingressos em cada jogo para distribuir ou vender aos seus torcedores. Trump simplesmente vetou a entrega desses 8% para a torcida iraniana. É obvio que isso não poderia acontecer para que a disputa possa ter um mínimo de equilíbrio.

A seleção do Irã ficará sediada no México e será prejudicada por mais deslocamentos, para entrar e sair dos EUA, a cada jogo. Esse tipo de restrição revela uma atitude incompatível com competições desse tipo. Que sirva de exemplo para evitar que governos racistas e arrogantes como este não possam mais sediar torneios internacionais. Mas, por outro lado, também poderá ocorrer nos EUA o mesmo que ocorreu na Alemanha de 36. O negro Jesse Owens desmoralizou o supremacista de plantão.

SÉRGO CRUZ

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