Em discurso, o presidente destacou que “nenhum país ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”
O presidente Lula afirmou, em reunião do Mercosul, que “ninguém é dono do mundo”, nem da América do Sul, e que nenhum país da região vai “ganhar mais liberdade por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”.
O discurso foi feito nesta terça-feira (30), na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que ocorre em Assunção, capital do Paraguai.
“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, destacou o presidente do Brasil.
O discurso repele as pressões e ameaças dos Estados Unidos, que impõem tarifas e sanções como parte de sua “diplomacia”, para que os países da América do Sul se submetam aos seus interesses.
Na avaliação de Lula, “nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que uma região encontre seu espaço em um mundo em transformação”.
Ele lembrou a celebração do acordo comercial com a União Europeia e negociações com Japão, Canadá, Índia, Vietnã e China.
Lula fez um apelo aos demais países para que sigam com os esforços de integração do continente sul-americano, que “deve estar acima de ideologias”.
O presidente citou que o comércio entre os membros do Mercosul passou de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 50 bilhões em 2025.
Para Lula, o mundo moderno é marcado por instabilidade e guerras, que fazem subir os preços de alimentos e combustíveis no mercado internacional, mas também por ameaças à democracia.
“A democracia voltou a estar ameaçada no mundo todo. Em nossa região, não é diferente. No Brasil, os extremistas planejaram um golpe de Estado. Redes de desinformação continuam desvirtuando o debate público e tentando enfraquecer a confiança nas instituições”, declarou.
Lula afirmou que o Mercosul “é uma necessidade estratégica para as nossas nações”.
Ele expôs que o PIX é uma referência internacional. “O PIX é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do MERCOSUL. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos”.
No discurso, Lula se solidarizou com o povo venezuelano, que sofreu com fortes terremotos, e propôs que o Mercosul seja um “mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais e de financiamento a medidas de adaptação climática”.











