“Eles estão ansiosos e com medo!”, afirmou o ex-prefeito Eduardo Paes ao comentar o avanço das auditorias e do “caça-fantasmas” conduzido pelo governador interino Ricardo Couto. Segundo ele, a ofensiva para revisar contratos e gastos estaria pressionando o grupo político ligado ao deputado Douglas Ruas e ao ex-governador Cláudio Castro.
Na mesma publicação, Paes ampliou as críticas ao que chama de irregularidades na gestão estadual e questionou a condução do poder no Rio. “As auditorias e o ‘caça-fantasmas’ do governador interino Ricardo Couto está causando ansiedade. Que tal tentar sentar na cadeira com eleições limpas sem CEPERJ? Topam?”, escreveu, ao citar suspeitas envolvendo o uso de estruturas públicas.
A declaração ocorre após Ruas acionar o Supremo Tribunal Federal para assumir imediatamente o governo do estado. O pedido foi protocolado na quinta-feira (23), no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.942), que discute as regras para uma eventual eleição indireta no Rio. A solicitação foi encaminhada ao relator do caso, ministro Luiz Fux, e ainda não teve decisão.
Atualmente, o governo do estado está sob responsabilidade de Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que assumiu após a renúncia de Cláudio Castro em meio a um cenário de dupla vacância — sem vice-governador e com indefinição na chefia da Alerj na linha sucessória.
Ao analisar a crise, Paes reconstruiu a sequência de fatos que levou ao impasse institucional. Segundo ele, Castro havia escolhido como sucessor o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacelar, que é co-réu em ações ligadas ao caso do CEPERJ, com a expectativa de que assumisse o governo após uma renúncia planejada para viabilizar a disputa eleitoral de 2026.
“O Governador Cláudio Castro escolheu como seu sucessor o presidente da Alerj (sempre a Alerj) Rodrigo Bacelar, co-réu com ele na ação do roubo do CEPERJ”, afirmou Paes. Ele acrescentou que o plano enfrentou resistência do então vice-governador Tiago Pampolha, que teria sido alvo de pressões e ameaças.
Paes relatou que, diante da resistência, a cúpula política intensificou as articulações, combinando pressões com ofertas de cargos estratégicos. “Depois de muita pressão e esgotado com o jogo pesado, o jovem vice-governador entendeu por bem ouvir os apelos do pai e aceitou o acordo”, escreveu, ao mencionar a ida de Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado e a reorganização de espaços na máquina pública.
Com a saída do vice, o caminho ficaria livre para Bacelar assumir o governo, mas o cenário mudou com sua prisão e afastamento da presidência da Alerj por suspeitas de ligação com o Comando Vermelho. “Só que para desespero da cúpula Bacelar é preso e afastado da presidência da Alerj por suas ligações com o comando vermelho”, afirmou.
Segundo Paes, a tentativa da Alerj de reverter a situação não teve efeito, já que o STF manteve o afastamento. A recusa de Bacelar em renunciar teria travado a recomposição da cadeia sucessória, mantendo o comando do estado com o presidente do Tribunal de Justiça.
O ex-prefeito também apontou que o avanço de investigações no Tribunal Superior Eleitoral aumentou a tensão política, especialmente diante da possibilidade de cassação e inelegibilidade de Castro e Bacelar. Nesse contexto, a renúncia do governador não produziu o efeito esperado.
“Como o julgamento do TSE não havia tratado desse tema, o PSD entra com ação no STF pedindo a suspensão do processo até que aquela corte deliberasse com clareza sobre o rito de escolha do novo governador e defendendo DIRETAS JÁ”, explicou.
Na avaliação de Paes, a crise é resultado da atuação de um grupo político que governa o estado desde 2019. Ele listou problemas como a ampliação de territórios dominados pelo crime organizado, uso de recursos públicos para compra de votos e prejuízos às contas estaduais. “Parece roteiro de filme de máfia e é máfia mesmo. Só que na vida real!”, afirmou.
Na última sexta-feira (25), o ministro do STF Cristiano Zanin determinou que o governador interino, Ricardo Couto, permanecerá no cargo até o final do julgamento pela corte.











