“Ao usar serviços digitais ‘gratuitos’ fornecidos pelas big techs, nós nos tornamos o produto”, declarou
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) observou que o “Brasil é rico em dados, mas quem controla essa riqueza?”. Segundo o parlamentar, “nossos dados sustentam uma economia global enquanto ainda dependemos de plataformas e infraestruturas estrangeiras”.
“No lançamento do livro Soberania Digital: desafios do presente para o Brasil do Futuro, no IFSP, compartilhei um alerta: ao usar serviços digitais “gratuitos” fornecidos pelas Big Techs, nós nos tornamos o produto”, declarou em suas redes sociais.
Orlando realizou o lançamento do livro “Soberania digital: desafios do presente para um Brasil do futuro”, que discute as redes sociais, a soberania digital e as big techs no Brasil. O evento foi realizado no dia 21 de maio, no Instituto Federal de São Paulo (IFSP).
Orlando é organizador do livro junto com Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e assessora especial da ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, e Ergon Cugler, mestre pela FGV, professor convidado da FESPSP e conselheiro da Presidência da República.
Em suas redes, Orlando explicou que o livro “é uma coletânea de artigos de pessoas especializadas no debate digital”.
“Eu recomendo que cada um de vocês possa ler e conhecer para que seja uma espécie de letramento digital, para que a gente possa dialogar com a sociedade brasileira sobre os temas fundamentais de uma agenda do futuro, de uma agenda que vai impactar a nossa soberania e na autonomia tecnológica do Brasil, que é a garantia para o nosso desenvolvimento”.
“Afinal de contas, o mundo hoje é digital, a economia, a sociedade, as relações estão todas intermediadas por redes sociais”, continuou.
“Tudo isso é parte do debate que a gente faz, discutindo racismo algorítmico, discutindo misoginia, discutindo estratégias para a autonomia tecnológica do país, discutindo democracia”, continuou.
Orlando Silva foi relator do PL de Combate às Fake News, que estabelecia uma regulamentação das redes sociais e novas regras de transparência para as big techs, entre outros pontos.
O tema teve sua tramitação paralisada na Câmara por uma ação coordenada dos bolsonaristas com o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). As big techs, como o Twitter e Google, fizeram ações online contra o texto, inclusive divulgando fake news.
Segundo o deputado Orlando Silva, o livro traz a reflexão sobre “o que fazer para transformar essas ferramentas em potência para fortalecer a nossa democracia?”.
Entre os temas tratados está o uso de dados pessoais como mercadoria. “Todo mundo se entusiasma quando tem um acesso gratuito a determinados serviços digitais ou a determinados aplicativos. Só que é gratuito pelo seguinte: por quê? Porque nós somos o produto”.
“Os nossos dados estão empacotados para que eles produzam essa economia. Todos aqueles dados que nós oferecemos, todas as informações são processadas, isso é o que vivemos hoje”.
O parlamentar ainda contou que serão realizados outros lançamentos do livro para que seja debatido “com a sociedade brasileira o desenvolvimento do Brasil à luz dos desafios tecnológicos que vivemos hoje”.











