Eduardo Bolsonaro já tinha cantado a bola na sexta-feira (23) quando disse que seu irmão e então candidato a presidente deveria fugir do Brasil se perdesse a eleição
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes e a Polícia Federal o intimou a entregá-los, comum e diplomático, em até 24 horas.
A decisão foi tomada na noite do domingo (25) em processo em que Flávio Bolsonaro e seu amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por lavagem de dinheiro, no esquema que envolve empresas de Tomaz e bets. Na semana passada, Moares determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets.
Flávio Bolsonaro também é formalmente investigado pela Polícia Federal (PF) em inquérito aberto para apurar a prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Moraes também decidiu proibir contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz; cancelar todos os passaportes brasileiros, incluindo o diplomático, de Flávio Bolsonaro; entrega em até 24 horas de passaportes que Flávio Bolsonaro tenha de outras nacionalidades.
Flávio confirmou que foi intimado pela PF a entregar os passaportes em um vídeo arede social. “E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23/10 que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição, eu nunca falei isso”.
Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu, em entrevista a um podcast nos Estados Unidos, na sexta-feira (23), que seu irmão, Flávio Bolsonaro, devia deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição.
INVESTIGAÇÃO
A investigação desse delito começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram apurados crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema.
A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
“Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holdings, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento da conta”, afirmou a PF em relatório.
“Posteriormente, em e-mail datado de 22/05/2025, foi expressamente solicitada [por Willer Tomaz] a exclusão de seu acesso, elemento que indica que o senador permanecia vinculado à conta bancária, ao menos sob a perspectiva operacional, até aquela data”, disse a PF.
Ainda segundo a investigação, “foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro”.
“Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud [nuvem] de Willer”, diz o relatório policial.
A PF encontrou, entre outros indícios de ligação entre os dois, viagens do senador custeadas por uma das empresas do advogado, a Cathedral.
Essa empresa dividia com a Alcazar o mesmo endereço na Ilha da Madeira, Portugal, em uma espécie de paraíso fiscal. A Cathedral também é dona da Best Bet, da Rede Loto, a primeira casa de apostas a ser habilitada a atuar no Rio de Janeiro em 2023, segundo a polícia.
A empresa Alcazar Holdings é dona de uma das três cotas do jatinho usado por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em uma viagem de Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), para o Brasil, em janeiro de 2025.
O avião, um Legacy 650 prefixo PP-NLR, tinha três donos na época do voo: Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings; Laerte Cosentino, dono da Totvs; e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por meio da empresa Prime You — que também administrava o uso da aeronave de propriedade compartilhada.
Willer Tomaz também é investigado por ter atuado na lavagem dos recursos em investigação nas fraudes do INSS.
Em agosto, Tomaz foi alvo de busca e apreensão porque os investigadores passaram a apurar possíveis movimentações financeiras e patrimoniais usadas para ocultar recursos ligados o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Derrotado na eleição presidencial para Lula, Flávio Bolsonaro ficará sem o mandato de senador em 2027 e perderá o foro privilegiado. Por enquanto, como senador, o caso fica a cargo do STF.
No entanto, o caso de Flávio não vai automaticamente para a primeira instância. Em 2025, o STF decidiu que, quando o crime investigado tiver sido praticado durante o exercício do cargo e estiver relacionado às funções desempenhadas pela autoridade, o foro é mantido mesmo após o fim do mandato.
AJUSTE FISCAL
Na campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro já se apresentava como presidente eleito do Brasil. Até ministros já tinham sido escolhidos, como sua assessora econômica, a neoliberal Daniella Marques, que falava por todo canto em ajuste fiscal com cortes no orçamento de R$ 250 bilhões, privatizações e demissões em massa de funcionários públicos. Falava ainda que já tinha pronto dezenas de decretos para estrangular a economia, a exemplo de Javier Milei, atual presidente da Argentina. Segundo ela, Milei é exemplo de presidente na América Latina (32 mil empresas fecharam sob a gestão dele).
Ela faltou combinar com os eleitores brasileiros. Lula derrotou Flávio Bolsonaro por 64.256.232 (51,79%) de votos contra 59.826.041 (48,21%), mais de 4.4 milhões de diferença. Entre o primeiro e o segundo turno, Lula ganhou mais de 10 milhões de votos.
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