PF bloqueia R$ 670 milhões contra as fraudes do banco Digimais, do bispo Edir Macedo

Operação da PF aconteceu na manhã desta terça-feira (23) (Fotos: Reprodução - PF - Instagrama)

Operação investiga fraudes financeiras e falsificação de dados contábeis

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), uma operação contra o banco Digimais, do bispo Edir Macedo, para investigar fraudes financeiras e falsificação de dados contábeis.

No âmbito da operação, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões do banco e dos investigados.

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, abriu o banco Digimais em 2020, ao comprar o antigo banco Renner e trocar o nome.

Desde então, o Digimais passou a atuar com oferta de crédito consignado e financiamento de veículos, o que trouxe um período de crescimento e, em seguida, uma “severa” queda e prejuízos, aponta a PF.

O banco de Edir Macedo emitiu, entre 2023 e 2024, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com valorização de 110% do CDI.

A emissão desses CDBs atrelada à “posterior decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição”.

O banco Digimais começou a realizar uma “sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID” para “inflar artificialmente o patrimônio” buscando “viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação”.

O Banco Central produziu relatórios, utilizados pela PF na investigação, que indicam que o Digimais falsificou informações em relatórios contábeis de forma a criar um cenário no qual ele era mais robusta e rica, o que aumentaria o valor de seus ativos em milhões de reais.

Além disso, a operação apura se o Digimais direcionou dinheiro para Edir Macedo de forma ilegal.

Segundo a Polícia Federal, “as investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central do Brasil, apontam que os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares”.

Uma das operações fraudulentas do Digimais tentou maquiar ativos de R$ 71 milhões para R$ 741 milhões.

Entre os crimes praticados estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.

Entre os alvos da Operação Miragem estão o bispo João Urbaneja, que é um dos dirigentes do Digimais e conhecido como homem de confiança de Edir Macedo, e seu filho, Thiago Urbaneja.

Outros executivos do banco, como Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero, também foram alvos de buscas.

José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, que são donos da empresa gestora dos fundos da Digimais, a ID, tiveram seus endereços revistados. O bispo Edir Macedo, chefe deste grupo, reside fora do Brasil e, por isso, não foi alvo de busca e apreensão.

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