PF suspeita que o negócio pode estar relacionado com as propinas que Ciro Nogueira recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
O senador bolsonarista Ciro Nogueira (PP-PI) vendeu, por quase R$ 19 milhões, uma fazenda no Piauí para uma empresa sediada em um paraíso fiscal nos Emirados Árabes controlada pelo próprio advogado. As informações são do ICL Notícias.
O negócio pode estar relacionado com as propinas que, segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira recebeu de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A documentação da transação tem Gustavo Frazão assinando em nome da Arraf International, empresa sediada em uma região dos Emirados Árabes que é um paraíso fiscal.
Frazão, no entanto, advoga em favor de outra empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, em mais de 20 casos e tem um cargo na secretaria chefiada pela mãe do senador, Eliane Nogueira, na Prefeitura de Teresina (PI).
A venda da fazenda, que tem 2.410 hectares e é localizada no município de Pedro II, no Piauí, por R$ 18,7 milhões, ocorreu no dia 27 de março de 2025, dois meses depois de a Arraf International ser aberta.
A venda foi feita entre a Fazendas Reunidas Nogueira Lima e a Arraf International. Ciro Nogueira disse que a empresa que fez a venda é de sua mãe, mas a Polícia Federal está em posse de dados que demonstram que o senador é o verdadeiro dono.
A Arraf International é sediada na região de Sharjah, que é um paraíso fiscal dentro dos Emirados Árabes. A região, além de esconder o nome dos donos das empresas, permite que estrangeiros sejam os únicos proprietários, sem sócios do país.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, no mesmo período Ciro Nogueira estava recebendo valores indevidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O bolsonarista recebeu R$ 6 milhões por meio de outras empresas.
O banqueiro pagou Nogueira para que ele atuasse no Congresso Nacional defendendo os interesses do Banco Master.
É o caso, por exemplo, do texto – que ficou conhecido como “emenda Master” – que ampliava os valores assegurados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que favorecia o esquema criminoso.
O irmão de Ciro, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, assinou a venda da fazenda em nome da Fazendas Reunidas Nogueira Lima. Raimundo é investigado pela PF por ser o “laranja” de Ciro à frente de outra empresa que foi usada para receber dinheiro do Banco Master.
A empresa CNLF, com assinatura de Raimundo, vendeu um apartamento no Itaim Bibi, em São Paulo, por R$ 1,4 milhão para uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.
O apartamento foi adquirido pela empresa um ano antes por R$ 650 mil, isto é, o lucro foi de quase 100% em um ano. O negócio ocorreu entre agosto de 2024 e outubro de 2025.
A CNLF também vendeu, por R$ 6,5 milhões, um apartamento para uma empresa localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, outro paraíso fiscal.











