Privatização da Sabesp por Tarcísio criou a “Enel da água”, diz Haddad

Ex-ministro Fernando Haddad - Foto: Pedro Pereira/Market Makers

Em evento na Unifesp, petista também associou núcleo duro do bolsonarismo ao escândalo do Banco Master e defendeu liberdade total da PF para investigar

O pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou o processo de privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) conduzido pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ele afirmou que pretende rever cláusulas do contrato de concessão firmado com municípios paulistas caso seja eleito em 2026. 

As declarações foram feitas nesta quinta-feira (21), após um evento promovido pelo centro acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São Paulo, em Osasco, na Grande São Paulo. Em conversa com jornalistas, Haddad classificou como “lambança” a condução da venda da companhia.

Ele comparou o caso da Sabesp à Enel, empresa de energia elétrica que atua na região metropolitana, e disse que Tarcísio criou a “Enel da água”. A Sabesp foi privatizada em julho de 2024, após o Estado vender 32% de sua participação na empresa por R$ 14,8 bilhões. Antes da operação, o governo paulista detinha 50,3% das ações da companhia.

O pré-candidato destacou que a Sabesp supera a Enel em número de reclamações registradas no Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) por mau atendimento e defendeu que “não podemos admitir isso”. Segundo Haddad, “esse problema tem a ver com o contrato que foi assinado”. E acrescentou: “Eu vou ter que averiguar as cláusulas protetivas dos consumidores, porque as pessoas estão se sentindo desamparadas com essa lambança que foi feita”.

Dados da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), divulgados pelo SP1, da TV Globo, nesta quinta, revelam que as ocorrências envolvendo a empresa aumentaram 573% após a privatização.  O levantamento aponta que entre 2020 e 2024, o número de incidentes caiu de 499 para 107. “Esse drama que está sendo vivido pelas famílias vai precisar ser enfrentado. […] Não queremos que a Sabesp venha a ser a Enel da água”, disse o pré-candidato.

Durante as articulações para transferir a estatal à iniciativa privada, o Partido dos Trabalhadores sustentou que a legislação que permitiu a privatização, assim como diferentes medidas adotadas ao longo do processo, contrariavam princípios constitucionais como isonomia, eficiência e moralidade administrativa.

“Ao não divulgar o valor mínimo e aceitar o preço ofertado afirmando como superior a esse mínimo, o governo estadual favoreceu inequivocamente o único competidor na disputa para ser acionista de referência e comandar a gestão da Sabesp”, apontou o partido à época.

Fernando Haddad também voltou a mencionar o escândalo envolvendo o Banco Master e a relação da instituição com o bolsonarismo. Segundo o pré-candidato, a Polícia Federal recebeu do presidente Lula “liberdade total” para conduzir as investigações. Haddad afirmou ainda que “existe um núcleo duro no sistema Master com o Bolsonaro” e que essa relação estaria evidente. 

Finalizou acrescentando que “não adianta querer tapar o sol com a peneira” e declarou que Flávio Bolsonaro, “como representante desse núcleo duro”, terá de responder sobre os personagens envolvidos no caso. Para ele, “tem dinheiro público envolvido e uma sucessão de omissões que não se sustentam mais”.

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