Proposta dos EUA é acabar com o PIX e destruir nossa indústria, denuncia ministro

Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa (Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil)

“O governo Lula não vai negociar isso. Nem hoje, nem amanhã, nem depois”, disse o ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. “Nós temos alguém aqui no Brasil dizendo: eu aceito”, diz em referência a Flávio Bolsonaro

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, avalia que o governo dos EUA está usando medidas tarifárias para punir o governo brasileiro, que não se curvou às exigências de Donald Trump.

“O Brasil é vítima nesse processo”, prossegue o ministro, “mas não é covarde. Nós não vamos ficar amedrontados frente a uma potência, que realmente é importante, significativa, e está nos causando dano. Não vamos ceder”, completa Márcio Elias Rosa.

“É o desejo de fazer uma interferência político-ideológica no país soberano, pelos piores motivos: para beneficiar alguns em detrimento de todos nós”, disse Elias Rosa, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada na noite da sexta-feira (18), ao destacar que a alegação usada pelos EUA para justificar as novas tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros “não coincide com a realidade”.

“Nós temos alguém aqui no Brasil dizendo: eu aceito fazer acordo depois das eleições. Eles [EUA] dizem: o atual governo não age com boa-fé”, comentou o ministro, referindo-se à família Bolsonaro.

“Essa tarifa é tarifa-sanção, não é um instrumento de arrecadação e nem de regulação do mercado, como se o Brasil merecesse isso. Há brasileiros que dizem que o Brasil fez jus a isso. Preferem enxergar razão e motivo suficiente para o agressor do que acolher quem está sofrendo”, criticou.

PROPOSTA DOS EUA DESTRUIRIA NOSSA INDÚSTRIA

Nas negociações, os Estados Unidos exigiram abertura total do mercado brasileiro para bens industriais estadunidenses. “O governo do presidente Lula não vai negociar isso. Nem hoje, nem amanhã, nem depois”, disse o ministro Márcio Elias Rosa.

Desde o primeiro tarifaço, no ano passado, pelo menos 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone foram realizadas com representantes dos dois países. O ministro explicou que o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, “perguntou se não poderíamos fazer o acordo que a Argentina [de Javier Milei] havia feito. Falei que não. Primeiro, porque as regras do Mercosul não admitem esse tipo de acordo. A Argentina está fazendo à revelia do Mercosul”, comentou.

“Eles propuseram que o Brasil reduzisse a zero a tarifa de bens industriais provenientes dos EUA, ponto final, sem nenhuma contrapartida. O Brasil exporta para os EUA máquinas, equipamentos, muito da indústria de manufatura, indústria de transformação. Em 15 anos, nós tivemos US$ 450 bilhões de déficit. Se abrirmos o mercado desse modo, nós vamos expandir ainda mais o déficit. A título de quê faríamos isso?”, questionou Elias Rosa. “Se abre o mercado, destrói essa indústria de base. O Brasil não pode fazer isso. Essa questão precisou ficar clara desde cedo, assim como a gente jamais iria negociar o Pix. Mas eles não desistiram de querer discutir o Pix. Qualquer proposta era insuficiente”, criticou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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