Albaneses se manifestam contra negociata para presentear o genro e a filha do presidente norte-americano, Donald Trump, com uma área de reserva natural protegida para dar lugar a mega-hotel de luxo.
Milhares de pessoas se reuniram no sábado (4) na capital da Albânia, Tirana, em um dos maiores protestos, o 35º até o momento, contra um projeto de especulação “turística” encabeçado por Ivanka Trump e seu marido Jared Kushner, em uma área de conservação ambiental no Mar Adriático, falcatrua que conta com o entusiasmado apoio do primeiro-ministro Edi Rama.
Os manifestantes têm exigido que “cancelem o projeto”, o que, após vários episódios de truculência policial, foi se transformando em uma conclamação por “renuncia, Rama”. Nos protestos, também são frequentemente ouvidos “Albânia não está à venda” e “Ivanka go home”.
Os protestos começaram no final de maio e foram batizados de “Revolução dos Flamingos”, uma das aves que migram para a área afetada pela construção dos familiares de Trump. Avaliado em US$ 4,6 bilhões, o projeto é considerado um risco ambiental para a área de conservação e fere as normas da União Europeia, à qual a Albânia tenta ingressar.
Contratados do esquema Trump-Rama bloquearam com cercas de arame praias públicas e seguranças privadas espancaram cidadãos, até o caso virar um escândalo.
O Comitê de Helsinque da Albânia (CHA), uma ONG de direitos humanos com sede em Tirana, denunciou que a polícia local reprimiu com violência uma manifestação em frente ao Parlamento Nacional da Albânia, na quinta-feira (2). Cerca de 20 manifestantes foram detidos.
Já a Associação Albanesa de Jornalistas comunicou que vários jornalistas e fotógrafos foram agredidos. O aparato policial disparou gás lacrimogêneo, sem avisar ou dar tempo para as pessoas dispersarem; manifestantes que já estavam rendidos, sem apresentar resistência ou ameaça, foram agredidos pelas forças de segurança.
A bronca com o primeiro-ministro é que sua deferência para com a família Trump inclui a alteração das leis ambientais albanesas e a concessão do estatuto de “investidor estratégico” e isenções fiscais correlatas.
Rama defendeu o projeto agressivamente e acusou os protestos de serem “manipulados por interesses estrangeiros”, alegando que bots nas redes sociais estariam alimentando as manifestações e que “narrativas antissemitas estão sendo promovidas por inimigos do regime israelense e da Albânia”.
É que Rama gosta de ostentar suas ligações com o regime israelense e no ano passado gabou-se de ter sido convidado para o Conselho da Paz de Trump para a reconstrução de Gaza – aliás, anteriormente propagandeado como “Riviera sobre Cadáveres”.
Desde que o socialismo foi derrubado na Albânia, o país, um dos mais pobres da Europa, tem se alternado entre o neoliberalismo socialdemocrata de Rama e o do conservador Sali Berisha; ambos entusiastas da Otan e do ingresso na União Europeia, mas que mutuamente se acusam de corruptos. Quase um terço da população emigrou.











