A greve por tempo indeterminado dos profissionais da rede municipal de ensino de São Paulo poderá ser deflagrada a partir do próximo dia 28 de abril, caso a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) não apresente respostas concretas às reivindicações da categoria. A decisão foi tomada em assembleia realizada após ato em frente à Secretaria Municipal de Educação (SME), na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, quarta-feira (15).
Durante a mobilização, dirigentes sindicais destacaram que a categoria segue sem retorno efetivo do governo. “Estamos aqui, na Secretaria Municipal de Educação para cobrar melhoria das condições de trabalho, mas também melhores salários, valorização da nossa tabela e da nossa carreira, que nós não abrimos mão”, afirmou Cláudio Fonseca, presidente do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo), em publicação nas redes sociais da entidade.

A reunião ocorreu entre a Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc), formada Sinpeem, Sedin e Sinesp, e representantes do governo, incluindo o secretário adjunto de Educação, Samuel Ralize de Godoy, e o assessor da Secretaria Municipal de Gestão, Lucas Araújo de Andrade Lima. Apesar de a pauta ter sido protocolada ainda em novembro de 2025 e reapresentada em fevereiro deste ano, não houve avanço nas negociações.
Entre as críticas, a direção do Sedin (Sindicato dos Educadores da Infância Paulistana) reforçou a rejeição às políticas de terceirização. “Não aceitamos nem a privatização, nem a terceirização da escola pública. A mobilização é: Não feche salas, feche convênios!”, declarou Claudete Alves, presidenta em exercício da entidade.
Já a vice-presidente do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo, Letícia Grisólio, destacou a necessidade de recomposição dos quadros nas escolas. “Nós exigimos módulos completos e, para isso, precisamos de concurso público, chamada dos concursos em vigor e que tenhamos servidores de carreira como profissionais de educação”, afirmou.
Segundo as entidades, nenhuma das reivindicações – que abrangem questões salariais, funcionais, organização das escolas, saúde e segurança dos trabalhadores –, além da luta contra as privatizações e terceirizações, recebeu resposta definitiva por parte da administração municipal. No eixo salarial, a categoria reivindica reajuste geral não inferior a 5,4%, vinculado ao piso nacional do magistério, acrescido de 10% de aumento real, além da incorporação dos abonos complementares, enquanto o governo limitou-se a apresentar cenários em estudo.
Diante da ausência de respostas, a assembleia aprovou a intensificação da mobilização nas unidades escolares e a construção da greve. Uma nova paralisação, acompanhada de ato e assembleia, está marcada para o dia 28 de abril, às 14h, em frente à Prefeitura, quando a categoria poderá decretar a greve por tempo indeterminado caso o governo não apresente propostas que atendam às reivindicações.











