“Gravíssimo. É ataque à democracia”. Candidata ao Senado por SP afirma que declarações de Paulo Figueiredo revelam projeto político de retrocesso dos direitos femininos e convoca homens e mulheres a defenderem igualdade e democracia
As declarações de Paulo Figueiredo, aliado e amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo as quais mulheres “não sabem votar”, desencadearam uma das mais contundentes reações da campanha eleitoral até agora.
A ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), classificou a manifestação como “gravíssima”, acusou o grupo político adversário de flertar com modelo de extrema-direita que restringe a participação feminina na vida pública e afirmou que o ataque às mulheres representa também ataque à democracia.
Em pronunciamento divulgado nas redes digitais, Tebet disse sentir “indignação” e “repúdio” diante das declarações e afirmou que o episódio ultrapassa a esfera da ofensa individual para expor visão de sociedade incompatível com os avanços conquistados pelas mulheres brasileiras nas últimas décadas.
“É GRAVÍSSIMO”
Ao comentar o vídeo de Paulo Figueiredo, Tebet afirmou que as declarações acendem “sinal vermelho” para a democracia brasileira.
Segundo ela, ao sustentar que mulheres não sabem votar, o aliado de Flávio Bolsonaro não apenas desqualifica metade do eleitorado, mas reproduz concepção política que atribui ao homem — identificado como chefe da família — o monopólio das decisões políticas.
“Quando alguém diz que mulher não sabe votar, não está apenas desrespeitando nós mulheres. Está atacando a democracia e tentando nos empurrar para um passado que não cabe mais no Brasil de hoje”, afirmou.
Para a candidata, esse discurso se aproxima de setores da extrema-direita internacional que defendem redução do protagonismo feminino na esfera pública e reforçam papéis tradicionais de gênero.
TRAJETÓRIA PESSOAL
Ao rebater as declarações, Simone Tebet recorreu à própria trajetória política para ilustrar os obstáculos enfrentados pelas mulheres.
Ela lembrou ter sido a primeira mulher a ocupar diversos cargos públicos ao longo da carreira, entre esses prefeitura, vice-governadora estadual, presidência de comissão permanente do Congresso Nacional, liderança da bancada feminina e candidatura à Presidência da República por seu partido à época, o MDB.
Segundo Tebet, o fato de tantas conquistas ainda serem descritas como “primeiras vezes” demonstra que a igualdade de oportunidades permanece incompleta.
“Isso mostra o quanto ainda é difícil romper barreiras”, afirmou, e acrescentou que o espaço doméstico deve ser uma escolha livre da mulher, jamais uma imposição decorrente de preconceitos ou visões hierarquizadas sobre o papel feminino.
DEFESA DA IGUALDADE
A candidata também procurou ampliar o debate para além da disputa eleitoral.
Ao dirigir-se aos eleitores, convocou os homens a se somarem à defesa da igualdade de direitos, destacando que a maioria da população masculina brasileira não compartilha visões discriminatórias contra as mulheres.
“O lugar da mulher é onde ela quiser”, afirmou. “Votando, estudando, empreendendo, liderando empresas, ocupando cargos públicos e ajudando a decidir os rumos do nosso país. Não há espaço para retrocessos”.
Na avaliação da ex-ministra, democracia pressupõe participação política em igualdade de condições entre homens e mulheres e rejeita qualquer tentativa de limitar direitos conquistados ao longo de décadas.
DECLARAÇÕES
A reação de Simone Tebet insere o debate sobre igualdade de gênero no centro da disputa eleitoral.
As declarações de Paulo Figueiredo foram denunciadas como exemplo de discurso retrógrado, considerado incompatível com os princípios constitucionais da igualdade política entre homens e mulheres.
Para aliados de Tebet, episódios dessa natureza tendem a mobilizar o eleitorado feminino, segmento que representa a maioria dos votantes brasileiros e historicamente exerce influência decisiva nas eleições presidenciais e legislativas.










