O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou de um jantar e posou para fotos com o empresário do funk Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6 Explode, preso pela Polícia Federal na terça-feira (15) sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O encontro ocorreu em 12 de agosto do ano passado, na casa do cantor Latino. Na ocasião, o evento reuniu empresários e nomes do entretenimento, com o objetivo de aproximar o governador desse setor. Durante o jantar, foram servidos carneiro e vinho. Fotos do encontro foram divulgadas nas redes sociais e acompanhadas de mensagens elogiosas. “Nosso país estaria muito melhor se tivéssemos mais pessoas como você. Que cara f*!”, escreveu Oliveira ao publicar imagens ao lado de Tarcísio.
Latino, anfitrião da reunião e apoiador do governador, também compartilhou registros da noite. “Quanta honra poder receber o nosso (quem sabe!) futuro presidente e atual governador de SP aqui em casa numa noite tão agradável, ao lado de amigos e empresários. Foi épico!!”, afirmou.
A prisão de Oliveira ocorreu no âmbito da Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, que investiga uma rede de movimentação ilegal de dinheiro por meio de criptoativos no Brasil e no exterior. Segundo a corporação, o objetivo foi “desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores mediante criptoativos no Brasil e no exterior”.
Além de Oliveira, outros empresários do funk foram alvo da operação, sob suspeita de atuar no agenciamento de artistas que ocultariam recursos oriundos do tráfico de drogas. Entre os principais alvos estão os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, cujas defesas negam as acusações. De acordo com a Polícia Federal, “O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão”.
A ação mobilizou mais de 200 policiais federais, que cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos. A prisão de Oliveira foi confirmada por sua defesa.
Os advogados do empresário, José Luis Oliveira Lima e Bruno Dallari Oliveira Lima, contestam as acusações. Em nota, afirmam que “no âmbito da Operação Narco Fluxo, os valores e transações financeiras mencionados referem-se a relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia, todas devidamente formalizadas e respaldadas por contratos e documentação fiscal”.
A defesa acrescenta que “A GR6 e seu sócio reiteram que não houve a prática de qualquer ato ilícito e seguem à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com a investigação e prestando os esclarecimentos necessários” e conclui: “Rodrigo Oliveira e a GR6 reafirmam, ainda, seu compromisso com a legalidade, a transparência e a condução ética e responsável de suas atividades”.
A reportagem tentou contato com Tarcísio de Freitas para comentar o encontro, mas não houve retorno. A assessoria do Palácio dos Bandeirantes foi acionada por e-mail e telefone por volta das 13h e informou que enviaria uma resposta até as 14h, o que não ocorreu. A Secretaria de Comunicação também foi procurada por mensagem via WhatsApp às 12h50, sem resposta.
Na época do jantar, Tarcísio era apontado como possível candidato à Presidência da República, embora negasse publicamente essa intenção. Aliados viam encontros como esse como parte de um movimento de aproximação com potenciais apoiadores, em meio a críticas de setores bolsonaristas.
Dias antes, em 7 de agosto, o governador esteve em Brasília, onde visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), então em prisão domiciliar. Na mesma data, participou de um discurso ao lado de governadores de oposição, cobrando medidas do governo Lula (PT) diante do tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump naquele período.
Em dezembro, Bolsonaro indicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu candidato, e Tarcísio voltou a afirmar que disputaria a reeleição em São Paulo.
Rodrigo Oliveira também tem histórico de atuação política. Em 2016, foi candidato a vereador na capital paulista pelo então PSL, partido que posteriormente se fundiu ao DEM para formar o União Brasil. Já em 2024, declarou apoio ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) na disputa municipal.











