Terremoto põe saúde venezuelana em colapso

Equipes de 27 países como Brasil, Cuba e Colômbia compõem os dois mil socorristas solidários à Venezuela (El Universal)

Segundo os últimos levantamentos do jornal El Diario, há 2.295 mortos, 11.267 feridos e 64.500 desaparecidos. Cerca de 100 crianças e adolescentes promessas do beisebol perderam a vida em La Guaira. Escola de beisebol perde 100 crianças e adolescentes

Em uma resposta solene aos dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que devastaram a Venezuela, o governo da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, decretou oficialmente sete dias de luto nacional e vigília em toda a República. A medida oficial entrou em vigor formalmente nesta quarta-feira (1º), marcando um período de reflexão e luto após os tremores que atingiram a faixa litorânea e a região norte do país na quarta-feira (24).

O número de vítimas da catástrofe subiu para 2.295 mortos e 11.267 feridos, com 64.500 desaparecidos, segundo os últimos levantamentos do jornal El Diario. A avaliação é que passadas mais de 150 horas da catástrofe, as chances de encontrar sobreviventes embaixo dos escombros são praticamente nulas.

Em uma transmissão na emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, declarou que as equipes de resposta a emergências, compostas por mais de 4.000 pessoas, conseguiram resgatar 6.461 pessoas.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o setor está colapsado pela gravidade dos abalos estruturais. Estudos divulgados na terça-feira (30) apontam que pelo menos três hospitais sofreram danos graves e seis ficaram parcialmente danificados, entre os 21 que foram avaliados, alertou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier. “Os demais permanecem em funcionamento, mas com enorme sobrecarga”, advertiu.

O governo venezuelano informou que no total 38 hospitais foram danificados em todo o país, havendo grande número de médicos e enfermeiros desaparecidos. “Entre as principais deficiências estão o colapso dos serviços de medicina legal e dos necrotérios, além da insuficiência dos sistemas de registro de vítimas e de acompanhamento de pessoas desaparecidas”, informou Lindmeier.

De acordo com a OMS, o risco agora é do crescimento da circulação de doenças, como sarampo, dengue, febre amarela e malária. 

Para auxiliar no combate à disseminação de enfermidades, vários voos da Força Aérea Brasileira (FAB) foram enviados ao país transportando equipes especializadas de busca (incluindo bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná), cães farejadores, purificadores de água e um hospital de campanha da Marinha com capacidade para 150 atendimentos diários.

Mais de dois mil socorristas de 27 países como Cuba, Colômbia, Espanha e Irã também atuam com dezenas de equipes médicas e a Cruz Vermelha nas áreas mais afetadas. As Nações Unidas seguem coordenando esses voluntários internacionais que atuam no território venezuelano, trabalhando nos resgates sob os escombros e nas ações de emergência.

ESCOLA DE CRAQUES DE BEISEBOL, “CRIOLLITOS DE LA GUAIRA” VIRA NADA

No clube “Criollitos de La Guaira”, escola de crianças e adolescentes craques, promessas de beisebol, é um dos muitos exemplos da dor que atinge o país.

Jhorny Sojo, presidente da liga litorânea, confirmou um número devastador de mortes, totalizando aproximadamente 100 jovens jogadores de beisebol. O impacto é ainda maior nas faixas etárias mais baixas, com perdas irreparáveis ​​envolvendo crianças de apenas 4 a 6 anos (a categoria de base ou “semillero”).

O número final permanece incerto, apontou Sojo, pois dezenas de crianças, membros de equipes técnicas e treinadores continuam desaparecidos sob estruturas colapsadas, gerando um clima de completa incerteza. Os esforços para a remoção prioritária de placas de concreto concentram-se, no momento, nos campos de jogo e nas instalações das equipes em Playa Grande e Los Corales.

Diante do caos, um número expressivo de jovens atletas resgatados com ferimentos graves precisou ser transferido para centros médicos e hospitais de campanha em Caracas, devido ao colapso e à sobrecarga da infraestrutura de saúde no litoral de La Guaira.

GOVERNO TRUMP TIRA PROVEITO DA CRISE

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos – que mantém preso há seis meses o presidente do país, Nicolás Maduro – utiliza a catástrofe para tirar proveito da crise e aprofundar a dominação política, econômica e militar da Venezuela.

Entre outros atropelos, desde segunda-feira (29), equipes militares e de pessoal especializado integrados por pessoal do Elemento de Resposta a Contingências (CRE) da Força Aérea dos EUA lideram operações nas áreas da torre de controle e da pista do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, em clara violação à soberania nacional venezuelana.

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