A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai diplomar, no dia 7 de julho, de forma póstuma, o estudante Stuart Angel Jones, assassinado pela ditadura em 1971.
A cerimônia será realizada às 16h30, no Salão Dourado da Universidade, sendo organizada pela Reitoria e pelo Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA), do curso de economia.
A irmã de Stuart, Hildegard Angel, explicou que “como tantos outros estudantes naqueles tempos sombrios, ele não pêde concluir seus estudos”.
Stuart Angel era estudante de economia na UFRJ e dirigente do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), que fez resistência à ditadura militar, pelo retorno do Brasil à democracia.
Ele foi torturado até a morte na base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, em 1971, quando tinha 25 anos. A ditadura tentou, sem sucesso, que Stuart entregasse a localização de Carlos Lamarca.
O caso ficou famoso com as denúncias feitas pela mãe de Stuart, a estilista Zuzu Angel, dentro e fora do Brasil desde o desaparecimento do estudante. Zuzu pedia que tivesse o paradeiro de seu filho informado pela ditadura, o que nunca ocorreu.
Zuzu Angel faleceu em 14 de abril de 1976, aos 53 anos, em um forjado acidente automobilístico na saída do Túnel Dois Irmãos (atual Túnel Zuzu Angel), em São Conrado, no Rio de Janeiro. Seu automóvel foi interceptado por agentes da ditadura e jogado para fora da pista. O fato foi confirmado em depoimento por ex-agentes do regime ditatorial.
Hildegard Angel disse em suas redes que “ainda hoje não temos o corpo, bem como não sabemos com segurança o destino que lhe foi dado – se sem Terra ou se no Mar. Como pista,temos a frase dita por um dos carcereiro, ‘vai virar comida de peixe’”.
“Aquele período de chumbo continua a assombrar nossas vidas e a memória do país, por isso o compromisso de, enquanto vivermos, os familiares dos desaparecidos e mortos, dar continuidade a essa cruzada, que não acaba, em busca de verdade e dos restos mortais”, continuou a jornalista irmã de Stuart.
“Mesmo que apenas a ossada. Quem procura osso não é cachorro. Somos nós, os que ficaram, os que esqueceram de matar”, completou.
Stuart sofreu diversas formas de tortura, como afogamentos, choques e pau de arara. Relato de quem estava preso na base do Galeão diz que Stuart teve sua boca presa no escapamento de um carro e o corpo arrastado pelo estacionamento da base aérea.
Depois, os agentes da ditadura deixaram Stuart agonizando até a morte.
Zuzu também realizou ações e desfiles que citavam o brutal assassinato de seu filho.











