“Vamos superar a dependência e transformar nossos recursos minerais em benefício do país”, defende ministra

Ministra Luciana Santos na Abertura do VII Seminário Brasileiro de Terras-Raras. (Foto Luara Baggi/ASCOM/MCTI)

“O Brasil tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados”, afirmou Luciana Santos, ministra da Ciência e Tecnologia no seminário sobre terras raras

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou na quarta-feira (1º) o estudo “Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040”, elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado no Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ, no Rio de Janeiro (RJ). O levantamento aponta que a próxima década será decisiva para determinar se o Brasil será apenas fornecedor de matérias-primas ou participante relevante da nova economia global.

Além de mapear reservas minerais, o CGEE também organizou um percurso estratégico capaz de orientar políticas públicas, investimentos, desenvolvimento tecnológico e coordenação institucional ao longo dos próximos 15 anos.

Na abertura do evento, que reuniu a comunidade científica e setores que vão poder contribuir com a estratégia nacional de minerias críticos e terras-raras, a ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que “o estudo é uma contribuição nossa para o país. Trata-se de um amplo esforço de análise técnica e prospectiva, um instrumento de inteligência estratégica”. Segundo a ministra, o documento atualiza o diagnóstico elaborado em 2012 e oferece uma visão abrangente para a evolução da cadeia de valor do setor.

“O Brasil reúne algumas das maiores reservas minerais do planeta, tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados”, ressaltou a ministra.

Evento reuniu autoridades e especialistas no Centro Tecnológico da UFRJ. (Foto Luara Baggi/MCTI)

“A verdadeira riqueza não está apenas no que existe no subsolo”, observou a ministra. “Ela está na nossa capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inovação, produtos de alto valor agregado e desenvolvimento para a sociedade brasileira”. Além disso, o levantamento identifica tendências internacionais, desafios tecnológicos e oportunidades, com o fim de orientar políticas públicas, investimentos e ações de pesquisa. Acesse o estudo na íntegra.

“Planejar o futuro exige isso: conhecimento, visão estratégica, capacidade de antecipar desafios e, principalmente, vontade e decisão política. E é essa combinação que permitirá ao Brasil construir uma trajetória de desenvolvimento baseada em inovação e sustentabilidade”, afirmou a ministra

Ao defender a soberania do Brasil sobre a exploração de seus recursos naturais, Luciana Santos enfatizou a necessidade de a população brasileira ser a principal beneficiada pela inovação. “Queremos que essa riqueza se converta em benefício para o país, diferente daqueles que se dizem patriotas, mas que querem submeter nossas riquezas a interesses externos”, declarou.

“Sabemos que nenhum país enfrentará sozinho os grandes desafios tecnológicos do nosso tempo. Por isso, seguimos fortalecendo a cooperação internacional, ampliando parcerias que permitam compartilhar conhecimento, desenvolver soluções inovadoras e inserir o Brasil de forma cada vez mais qualificada nas cadeias de valor globais”.

Luciana Santos também aproveitou a ocasião para defender que projetos estratégicos para o desenvolvimento produtivo e de inovação sejam afastados de normas e metas fiscais – que restringem o avanço de investimentos públicos.

“Existem algumas políticas que têm que ficar fora de qualquer texto ou meta fiscal. Porque são projetos que vão impulsionar o país, garantir o crescimento do PIB e dar qualidade de vida à nossa gente”, argumentou, ao defender a ampliação do debate para assegurar os recursos necessários para o setor.

“Para isso, precisamos fazer esse convencimento e o debate de ideias para garantir que os recursos venham ainda mais, para além do conjunto de investimentos da Nova Indústria Brasil (NIB) e de tantas outras decisões que vão na direção de termos uma agenda de reindustrialização mais consistente”.

Ao final do evento, Luciana Santos destacou a iniciativa do Cetem (Centro de Tecnologia Mineral), envolvendo universidades e empresas, que vão contribuir com a política nacional para minerais críticos e terrar raras. “É assim que a gente faz com que a soberania aconteça”, afirmou. ” O Brasil precisa se inserir nas cadeias mais dinâmicas da economia. É isso que estamos fazendo quando formulamoa e tiramos do papel uma política tão estratégica”.

Na cerimônia, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto de Andrade Medronho, abordou o papel estratégico do setor de terras raras no país e fez críticas à privatização da Companhia Vale do Rio Doce. “Infelizmente, nós não temos mais a nossa Vale, que nos ajudaria muito se ela não tivesse sido entregue para o setor privado”.

Andrade Medronho avalia que o Brasil possui uma posição singular no cenário mundial, mas ainda participa de forma muito tímida na produção global e, sobretudo, nas etapas de maior valor agregado. “Precisamos superar a lógica fragmentada e avançar para projetos estruturantes, com escala, continuidade e cooperação”, disse o pesquisador.

O reitor também alertou que, diferentemente do passado, hoje o conceito de soberania não se restringe mais à autonomia político-administrativa ou à mera defesa de fronteiras territoriais. A soberania, segundo ele, passa também pela tecnologia e pela produção de conhecimento.

“Se nós não tivermos a soberania tecnológica, se nós não estivermos investindo na nossa expertise, nós não seremos uma nação soberana”, argumentou Andrade Medronho. “Hoje, nós sabemos o que está acontecendo com as big techs, com os algoritmos, com a inteligência artificial, que estão invadindo, num colonialismo digital, os corações e mentes da nossa população”.

Médico, Medronho também destacou a necessidade de estarmos atentos e vigilantes contra movimentos que ameaçam o desenvolvimento da humanidade. “Nós precisamos combater o obscurantismo, o negacionismo, porque ele mata, ele destrói uma nação e mata as pessoas”.

Participaram inúmeras autoridades. Na foto o reitor da UFRJ, Roberto Andrade Medronho, entre a ministra Luciana Santos e o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian. (Foto: Luara Baggi/MCTI)

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