Vorcaro tentou ocultar R$ 2,2 bilhões das suas fraudes na conta do pai

O banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Foto: Divulgação - SAP - Via Fotos Públicas)

Daniel Vorcaro tentou ocultar R$ 2,2 bilhões que obteve com as fraudes no Banco Master enviando o dinheiro para o pai, Henrique Vorcaro, que foi preso nesta quinta-feira (14).

A movimentação aconteceu depois que foram descobertas suas fraudes e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a arcar com mais de R$ 50 bilhões do rombo.

Henrique Vorcaro foi um dos alvos das prisões preventivas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e realizadas nesta quinta-feira pela Polícia Federal.

A movimentação bilionária dentro da família Vorcaro foi citada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, em março, quando da prisão de Daniel Vorcaro.

Os R$ 2,2 bilhões estavam escondidos em uma conta de Henrique Vorcaro na CBSF DTVM, antes chamada Reag.

A Polícia Federal encontrou indícios de “ocultação e dilapidação do patrimônio obtidas ilicitamente”, sendo esse um dos motivos que levou Daniel Vorcaro à prisão.

Já a prisão preventiva de Henrique Vorcaro foi decretada nesta quinta-feira (14) por efetuar pagamentos e utilizar os serviços dos grupos “A Turma” e “Os Meninos”, que realizavam ameaças e ataques virtuais contra alvos escolhidos pela família Vorcaro.

Segundo a PF, Henrique Vorcaro ocupava uma “posição de relevo como demandante dos serviços ilícitos e operador financeiro dos pagamentos” aos grupos de ameaça e ataques virtuais, inclusive depois da deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga os crimes no Banco Master.

O grupo chamado “A Turma” foi criado para ser uma espécie de “milícia” de Daniel Vorcaro. A PF cita um caso, em junho de 2024, quando sete pessoas foram ameaçar de morte o capitão de uma embarcação utilizada por Daniel Vorcaro. Em seguida, esses homens foram até um hotel para intimidar um ex-chefe de cozinha.

Já “Os Meninos” era um grupo de hackers que servia para roubar dados e realizar ataques virtuais, como para derrubar perfis.

Em janeiro, Henrique falou para Marilson Roseno da Silva, responsável pela distribuição dos pagamentos para os outros membros da “Turma”, que estava precisando dos serviços do grupo.

Henrique Vorcaro disse que receberia os recursos e “imediatamente” faria o envio de “400”. Marilson respondeu que o ideal seria “800k”, isto é, R$ 800 mil.

Marilson também pediu para não ser deixado “à deriva” e disse estar “segurando uma manada de búfalo”, precisando receber os pagamentos.

“Henrique financiava o grupo e, em contrapartida, utilizava-se de seus serviços ilícitos”, aponta a investigação.

O relatório também destaca as tentativas de “dificultar a rastreabilidade de suas comunicações” por parte de Henrique Vorcaro, que realizou trocas constantes de número de celular, inclusive usando um registrado na Colômbia.

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