Seminário organizado por Trump em SP sobre minerais críticos ameaça a soberania brasileira

Com apoio militar e financeiro de agências dos EUA, evento em SP tenta avançar sobre reservas brasileiras de terras raras em meio à nova corrida global e à ofensiva de Washington

Um seminário organizado pelo governo de Donald Trump reunirá, no próximo dia 18, em São Paulo, representantes da administração norte-americana e executivos do setor mineral para discutir o acesso dos EUA aos minerais críticos e terras raras do solo brasileiro. 

O encontro, que será realizdo em território brasileiro e não contará com representação do governo federal, representa uma ameaça direta à nossa soberania, contando, inclusive, com integrantes das forças armadas dos EUA dentre os “convidados”.  

A reunião integra a ofensiva econômica e geopolítica de Washington para ampliar sua presença sobre as reservas brasileiras desses recursos considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a produção de equipamentos militares.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o evento contará com representantes do Departamento de Estado, do Departamento de Energia, do banco de fomento EXIM Bank e da agência de investimentos U.S. International Development Finance Corporation (DFC), além de investidores privados e executivos do setor mineral. Também está prevista a participação de integrantes do Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pelas operações militares norte-americanas na América Latina.

A presença de operadores do aparato militar norte-americano indica que o interesse pelos minerais brasileiros ultrapassa o campo estritamente econômico e está diretamente associado às necessidades da indústria de guerra dos Estados Unidos.

A cobiça crescente dos EUA pelas reservas brasileiras ocorre em um contexto no qual o ditador Donald Trump busca impor sua vontade política a qualquer custo – recorrendo a guerras, intervenções e incursões na América Latina e em outras regiões do mundo, inclusive com episódios de sequestro de chefes de Estado –  em aberto desrespeito ao direito internacional, e do absurdo ataque dos EUA e de Israel ao Irã. 

Estima-se que o Brasil possua a segunda maior reserva de terras raras do planeta, com cerca de 21 milhões de toneladas, algo próximo de um quarto do total global. Apesar desse potencial, a exploração desses minerais no país ainda é limitada.

Atualmente, o principal projeto em operação é conduzido pela mineradora Serra Verde Rare Earths, localizada no estado de Goiás. Em 2025, praticamente toda a produção brasileira de terras raras foi destinada à China, evidenciando o peso do país asiático no processamento e na compra desses recursos.

Nos últimos meses, agências e fundos ligados ao governo estadunidense passaram a mapear projetos de mineração no Brasil e a ampliar investimentos no setor. Um dos movimentos mais significativos ocorreu justamente na Serra Verde, que recebeu cerca de 565 milhões de dólares da U.S. International Development Finance Corporation.

Outro aporte foi destinado à Aclara Resources, que desenvolve projetos de pesquisa mineral em Nova Roma, também em Goiás. Os principais projetos de exploração concentram-se em Goiás, Minas Gerais e Bahia.

RESISTÊNCIA 

Diante da nova corrida global por minerais críticos, o governo brasileiro afirma que pretende evitar a repetição desse padrão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido que qualquer parceria internacional inclua investimentos no processamento e na industrialização desses recursos dentro do próprio país. 

“Já está avisado que o Brasil não vai fazer aquilo que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu minério para comprar produtos acabados pagando cem vezes mais caro”, afirmou recentemente.

Para especialistas, o desafio brasileiro será transformar suas reservas minerais em base para o desenvolvimento tecnológico e industrial. O professor Sidney Ribeiro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que a disputa entre grandes potências revela o valor estratégico dessas riquezas naturais. “O alvo dessa disputa geopolítica são nossas reservas”, afirma. Segundo ele, o país precisa investir no processamento e na agregação de valor aos minerais estratégicos para evitar permanecer apenas como exportador de commodities.

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