MP do Rio denuncia assessora de Flávio “Rachadinha” por lavagem de dinheiro da milícia

Flávio, Adriano e Queiros (Fotomontagem HP)

Mãe do assassino de aluguel, Adriano da Nóbrega, trabalhava com Flávio Bolsonaro na Alerj, recebia pelo gabinete sem trabalhar e lavava dinheiro do crime. Flávio homenageou o assassino com a Medalha Tiradentes, maior comenda do Rio de Janeiro

A denúncia feita nesta quinta-feira (19), pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, reacendeu os crimes, que ele e seu pai tinham conseguido abafar, de desvio de dinheiro público, através das chamadas rachadinhas, e as estreitas ligações de Flávio Bolsonaro com a milícia e com grupos de extermínio do Rio de Janeiro.

ASSESSORA FANTASMA

Reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira mostra que a ex-assessora de Flávio, Raimunda Veras Magalhães, foi denunciada sob acusação de participar da lavagem de dinheiro do filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, assassino profissional e segurança de bicheiros que foi homenageado por Flávio dentro da prisão ´preso por assassinato – com a Medalha Tiradentes, maior comenda do Rio de Janeiro.

A denúncia destaca que Raimunda Veras Magalhães, então assessora fantasma de Flávio Bolsonaro, integrou uma rede de pessoas e empresas usadas para “receber, movimentar e ocultar valores oriundos do jogo do bicho”.

Raimunda foi uma das denunciadas no esquema de “rachadinha” do gabinete de Flávio pelo MP-RJ no período em que esteve na Alerj. Além da mãe do pistoleiro profissional, a mulher dele, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, também era funcionária fantasma do gabinete de Flávio. Ela e a mãe repassavam recursos do então deputado, que também lavava dinheiro da rachadinha, para o miliciano.

ABIN PRESSIONOU PARA ABAFAR

O caso acabou sendo arquivado em 2021, depois de uma pressão enorme de Jair Bolsonaro, que na ocasião ocupava o Palácio do Planalto, e usou até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ilegalmente para encobrir as denúncias contra Flávio. O resultado da pressão foi a anulação de provas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a reportagem da Folha, o MP-RJ afirmou que Adriano controlava pontos de jogo do bicho em Copacabana em associação com o bicheiro Bernardo Bello. Além disso, ele chefiava o Escritório do Crime, uma espécie de central de assassinatos por aluguel da milícia. Neste “escritório” também atuava Ronie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco. A mãe de Adriano, Raimunda Veras, teria usado, enquanto assessorava Flávio Bolsonaro, quatro empresas para lavar dinheiro do crime e movimentou R$ 8,5 milhões.

“Entre os empreendimentos de fachada, usados por Raimunda para a lavagem, constam um depósito de bebida, um bar e um restaurante. Os investigadores se depararam com um quiosque de serviços de sobrancelha localizado em um shopping na zona norte, cuja conta registrou, em seis meses, aproximadamente R$ 2 milhões em créditos”, afirma o MP-RJ.

Raimunda trabalhou como assessora de Flávio Bolsonaro entre abril de 2016 e novembro de 2018. A denúncia aponta uma movimentação financeira atípica numa pizzaria entre 2014 e 2019. De acordo com a reportagem, o estabelecimento recebeu depósitos de pessoas que faziam a lavagem de dinheiro do miliciano. A denúncia afirma que entre as transferências está uma empresa de estética, um dos focos da investigação.

FLÁVIO E A MILÍCIA EM SEU GABINETE

Ao todo, três denúncias foram oferecidas para tratar da atuação de Adriano no jogo do bicho, numa rede de matadores de aluguel e na ocultação de seu patrimônio após a morte. Adriano da Nóbrega foi morto em 2020 em uma operação policial do Rio, na Bahia.

“A terceira ação penal trata dos integrantes que atuavam sob o comando do miliciano e que continuaram em atividade após sua morte. As apurações indicam que o grupo criminoso persistiu e sofisticou sua estrutura mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo o Gaeco/MP-RJ, Julia Lotufo, segunda mulher de Adriano, atuava como líder e controlava toda a contabilidade e os ativos da organização criminosa, cujos negócios ilícitos envolviam agiotagem, contravenção e mercado imobiliário irregular”, afirma o MP-RJ.

A advogada Manoela Santos, que representa Raimunda, disse à Folha que ainda não teve acesso aos autos. Flávio também tentou tirar o corpo fora e afirmou nesta sexta-feira (20), em nota, que não tem nenhuma relação com o caso. “O fato de Raimunda ter sido sua assessora cerca de dez anos atrás não vincula o senador a responder pelos atos dela”, disse.

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