O Irã anunciou nesta sexta-feira (24) que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, à frente de uma delegação, está a caminho de Islamabad e de Moscou, numa viagem regional de três etapas que inclui Omã, dando continuidade aos esforços diplomáticos para pôr um fim definitivo à agressão americano-israelense contra a República Islâmica.
Em uma publicação no Facebook antes de sua viagem, o diplomata afirmou que o objetivo da “viagem oportuna” é “coordenar de perto com nossos parceiros em assuntos bilaterais e consultar sobre os desenvolvimentos regionais”.
“Nossos vizinhos são nossa prioridade”, disse ele.
Segundo a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA), a visita do principal diplomata iraniano tem como objetivo “realizar consultas e conversas bilaterais sobre os desdobramentos na região e o estado atual da guerra imposta pelos EUA e Israel à República Islâmica, que começou no final de fevereiro”.
O anúncio ocorre após entendimento dele com seu homólogo paquistanês, Ishaq Dar, e com o Chefe do Exército, Marechal de Campo, Asim Munir.
A CNN registrou a ida da delegação iraniana a Islamabad, assinalando que “espera-se que a delegação iraniana mantenha conversas com mediadores paquistaneses na sexta-feira — mas não com representantes dos EUA”, citando uma fonte americana e a mídia estatal iraniana.
Segundo a emissora americana, a expectativa dos líderes paquistaneses é que a reunião “leve a uma segunda rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã”. Nem os Estados Unidos nem o Irã “comentaram publicamente”, acrescentou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram sua guerra de agressão não provocada contra o Irã em 28 de fevereiro, enfatizou a PressTV. “Eles assassinaram o Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e atacaram instalações nucleares, escolas, hospitais e infraestrutura civil”.
Durante mais de um mês, o eixo EUA-Israel tentou pressionar a nação iraniana a se render e fracassou, sob a vigorosa retaliação desencadeada pelo Irã contra as bases americanas e instalações no Golfo ligadas aos EUA, bem como fez o Domo de Ferro israelense virar peneira. Bloqueou o estratégico Estreito de Ormuz aos navios dos países inimigos, com os contratempos ao comércio internacional de petróleo, gás, fertilizantes e de gás hélio para a fabricação de semicondutores recaindo sobre os agressores. Resposta que forçou os agressores a declarar um cessar-fogo.
Antes, o presidente Trump ameaçara “destruir uma civilização inteira, que não irá ressuscitar”. A trégua de duas semanas foi acordada em 8 de abril, seguido de negociações em Islamabad (capital do Paquistão), com Washington tendo aceitado o plano de dez pontos do Irã como a base para um acordo.
A exigência do Irã de que o cessar-fogo se estendesse ao Líbano, como previamente estabelecido nos “10 Pontos”, acabou sendo atendida.
Terminou sem avanços a primeira rodada de negociações no Paquistão, depois de 21 horas de discussões, devido às exigências excessivas de Washington e à violação do cessar-fogo pelos EUA ao impor um bloqueio naval ao Irã.
Depois de voltar a ameaçar o Irã de destruição, Trump anunciou unilateralmente a prorrogação do cessar-fogo, alegando atender a um pedido dos mediadores, referindo-se a uma suposta “divisão” entre os líderes iranianos, o que já foi desmentido cabalmente por Teerã, que está coesionado em torno dos “10 Pontos”.
De acordo com as agências de notícias, pelo menos 34 petroleiros e grandes cargueiros, driblaram o bloqueio naval americano, enquanto o Irã apreendeu dois navios ligados a Israel. A sete das eleições intermediárias de novembro, a reprovação de Trump já passa de 60% e segundo as pesquisas é ele e sua guerra os culpados pelo aumento na gasolina de 35% em um mês.
Depois de dizer repetidamente nesses 50 dias de agressão que a “Marinha iraniana não existe mais”, na quinta-feira Trump postou que qualquer navio iraniano que esteja colocando minas no Estreito será destruído, mesmo dia em que o Pentágono exonerou o secretário da Marinha americana, Phelan, demonstrando o caos internamente e não no Irã como propalara. Trump também não consegue ocultar sua fúria pelo fracasso de sua blitzkrieg contra o Irã e, portanto, do desejado assalto à terceira maior reserva de petróleo do mundo e, no período, se atracou com o Papa Leão XIV, por se manifestar contra a guerra.











