‘Bolsonaro é responsável pela quadrilha que acabou com o Rio’, diz deputado Otoni de Paula

Bolsonaro junto ao ex-governador do Rio, Cláudio Castro, que renunciou para barrar a cassação - Foto: Reprodução

“Eu não tenho dúvida nenhuma de que Flávio Bolsonaro faz parte dessa quadrilha”, completou o deputado

“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro é responsável por essa quadrilha que acabou com o estado do Rio de Janeiro”, sintetizou o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) ao analisar a crise política e de segurança pública no estado. Na mesma declaração, ele também incluiu o senador Flávio Bolsonaro no grupo: “Eu não tenho dúvida nenhuma de que Flávio Bolsonaro faz parte dessa quadrilha.”

O parlamentar, que se declara de direita e hoje se posiciona como um bolsonarista arrependido, atribuiu à família do ex-presidente Jair Bolsonaro responsabilidade direta pelo cenário fluminense. Segundo ele, o Rio vive um colapso institucional, marcado pela influência do crime organizado na política e nas estruturas públicas, o que o levou inclusive a defender a necessidade de intervenção federal.

Otoni afirmou ainda que seguiu orientações de Bolsonaro em eleições anteriores e hoje se arrepende. “Eu votei no Wilson Witzel porque ele pediu. Eu votei no Cláudio Castro porque ele pediu. E em nenhum momento o ex-presidente Bolsonaro veio a público para admitir sequer que errou”, disse.

Em tom ainda mais incisivo, o deputado defendeu que a família Bolsonaro se afaste das disputas eleitorais no estado. “Seria até digno a família Bolsonaro não se meter mais nas eleições do Rio, porque eles só apresentam ladrão”.

Ao descrever o cenário fluminense, ele classificou o estado como um “narcoestado”, apontando infiltração do crime organizado nas estruturas de poder. “O Rio de Janeiro já é um narcoestado. O crime já se aparelhou da máquina pública”, afirmou. Ao comentar uma megaoperação policial realizada em 2025, levantou suspeitas de vazamento de informações: “Nitidamente o Doca foi avisado. […] Foram todos embora, foram avisados”.

Apesar de defender o combate ao crime, fez críticas à atuação policial em casos de abuso. “Sou a favor de que bandido que troca tiro com a polícia… entre morrer o policial e esse bandido, que morra o bandido. O que não vou aceitar é uma polícia que faça justiça com as próprias mãos”, declarou.

Mesmo sendo de direita, Otoni anunciou apoio ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para o governo estadual. Segundo ele, trata-se de uma decisão pragmática diante do cenário político. “Prefiro votar em um soldado de Lula do que em um representante de uma quadrilha”, afirmou. Ele também elogiou a gestão de Paes: “Ele hoje é o único personagem da política do Rio de Janeiro que posso dizer que não está envolvido com corrupção ou com crime organizado”.

No plano nacional, o deputado declarou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), embora tenha criticado propostas como a anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. “Não tem como negar que houve uma tentativa de golpe de Estado”, disse, acrescentando: “A anistia ampla, geral e irrestrita não vai pacificar o país”.

Sobre o governo Lula, fez uma avaliação mista. Criticou a política fiscal, mas reconheceu aspectos positivos. “Na área econômica, é um governo perdulário. […] Tenho elogios? Tenho. Lula é um cara humano”, afirmou.

O deputado também abordou o papel das igrejas no combate à violência contra a mulher e defendeu maior engajamento das lideranças religiosas. “A igreja peca quando não debate esse assunto, e já há comprovações de que uma parte considerável das mulheres violentadas está em nossas igrejas”, declarou. Ele ainda criticou o projeto que criminaliza a misoginia da forma como está proposto, ao mesmo tempo em que reafirmou apoio histórico às pautas de proteção às mulheres.

Ao longo da entrevista, Otoni de Paula reforçou sua mudança de posicionamento político, com críticas tanto à direita quanto à esquerda, enquanto tenta se reposicionar no cenário estadual e nacional.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *