Declaração de Zema a favor do trabalho infantil gera reação de repúdio: “Uma covardia”

Foto: Reprodução

A defesa do trabalho infantil no Brasil feita pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no último 1º de Maio, Dia do Trabalhador, gerou uma série de protestos de políticos nas redes sociais.

Em entrevista, Romeu Zema declarou que “hoje é dia do trabalho e aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos centavos por cada jornal entregue”, declarou o pré-candidato à Presidência, completando que, se eleito, “tenho certeza que nós vamos mudar” a regra que impede o trabalho infanto-juvenil no Brasil.

A Constituição Federal de 1988 proíbe que crianças menores de 14 anos trabalhem no Brasil. Entre 14 e 16 anos, os adolescentes podem ser empregados como jovens aprendizes, desde que o trabalho não os impeça de estudar.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou a fala do ex-governador de “ato de covardia”: “Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além, dá sérios sinais de ser um psicopata”, escreveu o ministro.

Para o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), a fala é “um retrocesso”. “Trabalho infantil não é solução Zema, é retrocesso”, escreveu na rede social X, completando que “o Brasil já superou 350 anos de escravidão, mas que essa mentalidade [como a de Zema] insiste em aparecer”.

“Absurdo! Romeu Zema defende a volta do trabalho infantil no Brasil”, disse o vereador Pedro Roussef (PT-MG).

Já o diretor teatral e dramaturgo, Marcus Faustini, escreveu em seu Instagram que ao defender que a criança tem que trabalhar, Romeu Zema “não está ensinando valor, está normalizando desigualdade”.

“Porque criança rica não trabalha. Estuda, viaja, aprende, experimenta o mundo. Já a criança pobre… Mandam trabalhar cedo — e chamam isso de ‘formação’”, afirma o artista, que completa: “isso não é virtude, é condenar alguém antes mesmo da vida começar”.

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