“Manifestação oficial da Casa Branca é uma ideia completamente contrária à de Simón Bolívar, haveria que pedir traição ao seu filho”, afirmou o presidente colombiano, exigindo respeito à vontade e à soberania do povo venezuelano
A insânia proposta por Donald Trump através de suas redes sociais de fazer da Venezuela o 51º estado dos Estados Unidos provocou uma reação imediata e contundente do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em respeito à vontade e à soberania do país e do povo vizinho.
“Essa nova ideia do governo dos EUA não pode ser concretizada sem a vontade do povo venezuelano, que teria de pedir traição a seu filho: Simón Bolívar, fundador da Grande Colômbia e da liberdade da Venezuela”, afirmou Petro, acrescentando que “este tweet oficial da Casa Branca é completamente contrário às ideias de Simón Bolívar”.
Ao exibir um mapa da Venezuela coberto pela bandeira norte-americana sob o título de ‘Estado 51’, assinalou o presidente colombiano, Trump aponta para a proposta de anexação, contrária ao direito internacional e ao ideário bolivariano, que serviu de base para a constituição das repúblicas sul-americanas. Para Petro, a independência venezuelana é parte de uma herança histórica continental que não pode ser submetida à lógica de Washington.

A provocação trumpista ocorre em meio à intensificação da pressão militar norte-americana sobre o Caribe, com o envio de embarcações de guerra e operações sob o pretexto de “combate ao narcotráfico”, mas que já assassinou dezenas de pescadores sem comprovar absolutamente nada, a não ser o controle geopolítico da região.
Na verdade, esta movimentação tem se caracterizada como parte de uma estratégia mais ampla de cerco e aniquilamento ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro, com o objetivo de controlar os recursos energéticos do país, detentor das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.
A intenção de transformar territórios soberanos em ‘Estado 51’ já havia sido aventada por Trump em relação ao Canadá e à Groenlândia, cujas populações e governos também foram firmes no “não” ao mandatário da Casa Branca. Mas a aplicação dessa mesma retórica à Venezuela aumenta ainda mais à tensão diplomática, pois seu presidente Nicolás Maduro se encontra sequestrado nos EUA.
Como recordam autoridades e intelectuais, a simbologia do mapa coberto pela bandeira dos EUA remete diretamente ao Destino Manifesto, doutrina que historicamente serviu para justificar invasões e anexações no continente americano. Neste momento, se soma a uma política criminosa de bloqueios e sanções unilaterais, somada a intervenções sanguinárias como a promovida na Venezuela.
A firme reação de Petro se soma a manifestações de outros governos da América Latina, que entendem a ofensiva contra Caracas uma ameaça à estabilidade regional. A invocação de Bolívar também resgata uma tradição de integração continental que se opõe à fragmentação política historicamente imposta pelas grandes potências.
“HOMENS E MULHERES DERAM SUAS VIDAS PARA FAZER DE NÓS UM PAÍS LIVRE”
Na sua manifestação mais recente, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reiterou que a Venezuela seguirá defendendo sua soberania e integridade territorial. “Nossa história é uma história de glória de homens e mulheres que deram suas vidas para fazer de nós um país livre, não uma colônia”, asseverou.
Segundo Delcy Rodriguez, a capitulação diante do invasor e sua rendição aos seus propósitos estão fora de questão. “Isso jamais seria considerado, porque se há algo que nós, venezuelanos e venezuelanas, temos em comum, é o amor pelo nosso processo de independência, o amor pelos nossos heróis e heroínas da independência”, concluiu.











