Um episódio de tensão marcou a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre nesta quarta-feira (14), após o vereador Mauro Pinheiro retirar o microfone utilizado pela vereadora Juliana Souza durante uma discussão no plenário da Casa. A confusão ocorreu enquanto os parlamentares debatiam a Lei de Uso e Ocupação do Solo da capital gaúcha.
A interrupção aconteceu no momento em que Juliana Souza fazia referência a notícias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. Durante o aparte, a vereadora afirmou que uma colega estaria “nervosa” após o vazamento de um suposto áudio relacionado a pedidos de recursos financeiros ligados ao empresário. Antes de concluir a fala, porém, teve o microfone retirado por Mauro Pinheiro.
A atitude provocou reação imediata de parlamentares de diferentes partidos e gerou tumulto no plenário. Diante da repercussão, o presidente da Câmara, Moisés Barboza, decidiu suspender temporariamente a sessão. Vídeos do momento circularam nas redes sociais e ampliaram o debate sobre os limites da atuação parlamentar e o respeito à fala de vereadores durante as sessões legislativas.
Em nota divulgada após o episódio, Mauro Pinheiro afirmou que sua atitude teve caráter “estritamente regimental” e negou qualquer motivação relacionada a violência política de gênero. Segundo o vereador, a intervenção ocorreu porque a manifestação de Juliana Souza estaria fora do tema em debate naquele momento. Ele também declarou manter “absoluto respeito às mulheres na política” e criticou tentativas de transformar o caso em uma acusação de violência de gênero.
A Bancada do PT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul encaminhou um ofício ao presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Moisés Barboza (PSDB), manifestando “perplexidade e indignação” com o episódio.
No documento, o líder da bancada do PT no Parlamento gaúcho, deputado Miguel Rossetto, critica a atitude do vereador Mauro Pinheiro (PP) que teria retirado o microfone da vereadora enquanto ela se manifestava em plenário.
O deputado afirma que “não é possível conviver com esse padrão de violência praticado por parlamentar” e destaca que a Câmara da Capital gaúcha deveria servir de exemplo de convivência democrática e plural. No texto, ele também cobra providências da presidência da Casa para que situações semelhantes não se repitam.











