Idosa de 95 anos que sobreviveu ao genocídio de 1948 perde agora 70 membros de sua família em Gaza

Bombardeios criminosos de Israel tiraram a vida dos parentes de Hajja Fatima (MEE)

Hajja Fatima Obeid, de 95 anos, sobreviveu ao terrorismo da Nakba (a Catástrofe), em 1948, à expulsão violenta de mais de 750 mil palestinos de suas casas, logo após a criação do Estado de Israel. Durante a Nakba, mais de 500 aldeias palestinas foram destruídas para dar espaço à colonização judaica da Palestina quando mais de 13 mil palestinos foram mortos.

Mais uma vez, agora idosa, ela está tendo que enfrentar uma onda de limpeza étnica e deslocamento forçado durante este genocídio que está acontecendo na Faixa de Gaza. Veja seu depoimento:

“Eu desejo que pudesse ser como antes, nós costumávamos ir para o mar e cheirar o ar fresco”, declarou Hajja Fatima ao site de notícias ‘Middle East Eye’. “Nós éramos saudáveis, tínhamos nossas casas. E nossas crianças, aquelas que nós perdemos, estavam conosco”.

Ela disse que nunca esperou viver, como ela chama, uma “guerra de aniquilação”. Ela perdeu sua casa no bairro de Shuja’iyya, a leste da cidade de Gaza, e também perdeu mais de 70 de seus filhos, netos e bisnetos durante os bombardeios perpetrados por Israel.

Hajja Fatima, falando com a jornalista do MEE, Maha Hussaini, assinalou que a destruição que testemunhou em Gaza supera a brutalidade que ela sofreu quando jovem, durante a criação de Israel.

“Tem um grande diferença”, respondeu Hajja Fatima, quando questionada pela jornalista sobre o que aconteceu antes e o que está acontecendo hoje: “Quando entramos em Gaza, nós e nossos pertences estavam bem”.

“Agora, eu perdi minhas crianças, meu dinheiro, meus filhos, as crianças de meus filhos, minhas filhas, as filhas de minhas filhas. Eu perdi 70 pessoas. Eu criei todos eles. Eu perdi todos eles. Nossas casas foram destruídas, eu não tenho mais filhos, eu digo que eu tenho um filho e meio”. “Um está bem e o outro está há dois dois anos ferido. Ele anda de lado e tem platina nas pernas”.

“Nós fugimos com as roupas nas nossas costas. Eles se mudaram antes de mim. A esposa de meu neto estava me segurando. Ela botou sua mão em minha mão e continuou andando na minha velocidade. Todos eles fugiram”.

“Cada um deles estava segurando seus filhos e filhas, esposas e a si mesmos. Nós fugimos sem carro ou nada”.

“O medo me fez mover. Eu estava com medo, o casaco do meu marido, que morreu 20 anos atrás, que Deus tenha sua alma, seus casacos estavam no armário. E tinha algumas coisas do nosso casamento, ainda no armário”.

“Eu não consegui tirar nada de casa”.

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