Sob pressão dos juros elevados, vendas de máquinas recuam 14,9% em abril, aponta Abimaq

No mercado interno a queda foi de 21,5% em relação a março. (Foto: Agência de Notícias de CNI)

“Mercado doméstico vem perdendo força em função da política monetária contracionista”

O desempenho da indústria de máquinas e equipamentos em abril veio com todos seus principais indicadores negativos. A Receita Líquida total, que soma as vendas no mercado interno mais as exportações, tiveram quedas de 10,7% sobre março e 14,9% em relação ao mês de abril em 2025.

No acumulado do ano até abril as vendas caíram em 12% e no acumulado dos últimos doze meses o recuo é de 0,7%. Esse quadro, apesar do crescimento das exportações serem de 43,1% sobre março e 17,1% no acumulado de ano.

O Consumo Aparente, (produção nacional que inclui importações, menos exportações) principal indicador de investimento em bens de capital (máquinas e equipamentos), reforça o cenário de forte desaceleração do setor.

Em abril, o setor teve queda de 21,5% em relação a março e no acumulado do ano caiu 13,7%. Quando o consumo aparente cai significa menor investimentos da indústria. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) divulgados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (27).

“O mercado doméstico vem perdendo força em função da política monetária contracionista que vem sendo adotada (pelo Banco Central). Os juros elevados competem diretamente com investimentos e tem impedido, inviabilizado, investimentos do setor produtivo”, assinala Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq.

A receita interna, que na coletiva de abril, foi estimada em crescer 0,7% no ano, com os dados mais recentes está sendo revisada pela Abimaq para encolher 2,7% em 2026.

Conforme os dados da indústria como um todo, as projeções não podem ser otimistas para 2026, com o enfraquecimento da demanda interna, pela própria retração da economia do país, pelos juros altos inibindo os setores que demandam crédito para a aquisição de máquina e equipamentos, inclusive o setor agrícola.

Pelo lado das exportações, ainda que com previsão de crescimento, pela participação limitada de 20% das receitas totais, esse crescimento não será suficiente para compensar o faturamento do setor.

O impacto da valorização do real em relação ao dólar que reduz a renda dos exportadores e deixa os produtores nacionais em desvantagem competitiva, são os elementos básicos para as projeções desfavoráveis para o setor vital da economia de qualquer país, conhecido mesmo como o coração da indústria.

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