O grupo tem “contornos de máfia” e agia contra qualquer pessoa vista como obstáculo aos interesses de Vorcaro, diz o STF
A Polícia Federal afirma que a organização criminosa do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pagava influenciadores digitais para atacar o Banco Central nas redes sociais. Os valores pagos chegavam a R$ 2 milhões. A operação de propaganda tinha nome de “Projeto DV” — as iniciais de Daniel Vorcaro.
Segundo o relator do inquérito, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o grupo tem “contornos de máfia” e agia contra qualquer pessoa vista como obstáculo aos interesses de Vorcaro. O Banco Master cresceu em falcatruas durante o governo Bolsonaro. O dono do banco foi muito grato a essa ajuda ao transferir R$ 61 milhões desviados de aposentados, de servidores e do BRB para o senador Flávio Bolsonaro.
A decisão do ministro do STF, assinada nesta quinta-feira (9), que deflagrou mais uma fase da Operação Compliance Zero, traz as informações. O ministro autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado pela PF como o principal articulador do esquema.
O dinheiro saía do esquema do Banco Master, segundo investigação. Os alvos que recusavam as ofertas eram intimidados com dados sigilosos. Segundo a PF, o grupo procurava influenciadores e jornalistas com propostas de contrato. O objetivo era claro: publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar a liquidação do banco pelo Banco Central.
Antes de saber do que se tratava, o contratado precisava assinar um acordo de confidencialidade. A multa por quebra de sigilo era de R$ 800 mil.
Só depois da assinatura o trabalho era revelado. Foi o que disse, por exemplo, o vereador Rony Gabriel, ouvido pela PF. Segundo ele, um representante da empresa UNLTD ofereceu um trabalho de “gerenciamento de reputação” para “um importante executivo”.
Após assinar o acordo, o vereador soube o que deveria fazer: gravar vídeos dizendo que o Banco Master teria sido “vítima” do Banco Central. Quem recusava as ofertas virava alvo, diz a PF. O grupo usava informações privadas, obtidas de forma ilícita, para intimidar e coagir quem não aderia ao projeto.
Miranda e Vorcaro discutiram estratégias contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que cobria o caso Master. Foram levantados dados financeiros, familiares e patrimoniais dela — de gastos no cartão de crédito ao carro que usa. O objetivo, segundo a PF, era constranger e desacreditar a jornalista.
O mesmo método teria sido usado contra Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, e a mulher dele. “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy”, escreveu Vorcaro a Miranda. A resposta veio na hora: “Deixa comigo.” Um dossiê sobre o casal, com a marca da agência de Miranda, circulou entre os dois.
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