Canadá “deve responder tarifa por tarifa” em reação a imposição de taxas por Trump, diz premiê

Doug Ford, líder do Estado de Ontário, em conferência onde repudiou tarifaço imposto por Trump (Nathan Denette Canadian Press)

Em reação ao anúncio pelo governo Trump de uma tarifa adicional de 50% sobre as exportações canadenses, o primeiro-ministro Mark Carney acusou os EUA de violarem o acordo comercial entre Canadá e México, o USMCA, e afirmou que o país permanece “unido de costa a costa” contra a extorsiva sobretaxa.

Na terça-feira, Trump decretou o novo tarifaço, para entrar em vigor em 19 de agosto, sob o pretexto de que o Canadá discrimina seus veículos, laticínios e bebidas alcoólicas. Na semana passada, Trump havia instaurado sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras.

“Ontem, os EUA anunciaram sua intenção de implementar, dentro de 30 dias, a mais recente de uma série de medidas comerciais contra o Canadá que violam nosso acordo, o USMCA, com os EUA e o México”, afirmou Carney.

“Os canadenses de costa a costa se uniram . O governo federal, os governos provinciais, os sindicatos, as empresas e os próprios canadenses se uniram, concentrando-se no que podemos controlar e fortalecendo-nos aqui em nosso país. Nós nos apoiamos mutuamente, compramos produtos canadenses e diversificamos nossas parcerias”, enfatizou.

“Se essas tarifas forem adiante, o Canadá deve responder tarifa por tarifa, dólar por dólar”, manifestou-se também o primeiro-ministro da província canadense de Ontário, Doug Ford.

O premiê Carney reiterou o compromisso dos canadenses com sua soberania – uma alusão às provocações sobre o “51º estado” – e revelou ter discutido com Trump por telefone para entabular negociações.


“Esta disputa comercial aumentou os custos para as famílias, particularmente nos EUA”, disse o premiê em uma postagem na rede social X. “O Canadá está pronto para se empenhar intensamente para resolver as questões pendentes com os EUA, em benefício mútuo de nossos cidadãos.”

Diante das pressões do governo Trump quanto ao futuro do acordo USMCA, Carney ressaltou que nos últimos 18 meses seu governo elaborou uma série de propostas para resolver essa disputa tarifária com os americanos e modernizar o acordo tripartite. “Estamos prontos para intensificar essas discussões nas próximas semanas”, disse o primeiro-ministro canadense e acrescentou que “o Canadá acredita nos benefícios do comércio livre e justo”.

“Em quaisquer circunstâncias, o Canadá trabalhará incansavelmente e tomará todas as medidas necessárias para fortalecer nossa posição em nível nacional e apoiar os trabalhadores, agricultores, empresas e famílias canadenses”, disse Carney.

As novas tarifas de Trump se somam às barreiras comerciais já existentes entre os dois países. Os EUA mantêm atualmente tarifas de 15% a 50% sobre produtos canadenses como aço, alumínio e cobre. Washington também aplica uma tarifa de 35% sobre a madeira serrada de origem canadense, além de uma taxa de 25% sobre peças automotivas que não sejam fabricadas nos EUA.

O Canadá, por sua vez, mantém uma tarifa de retaliação de 25% sobre algumas importações de produtos americanos, incluindo aço, alumínio e veículos.

Para formalizar as novas tarifas sobre produtos fabricados no Canadá, Trump procurou uma forma de contornar uma decisão da Suprema Corte dos EUA, de fevereiro desse ano, que bloqueou os poderes de emergência de Trump de impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977.

Isso forçou Trump a buscar outras vias legais para continuar a impor tarifas contra produtos de outros países, continuando sua guerra tarifária contra o resto do mundo. Trump usou de uma lei centenária, a Lei Tarifária de 1930, Seção 338, também chamada de Lei Tarifária Smoot-Hawley, na tentativa de continuar a impor tarifas contra produtos de outros países.

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