Ação visa proteger mais de 2.700 imigrantes ali detidos. Morte em janeiro do imigrante cubano Geraldo Lunas Campos foi atestada pelos próprios médicos legistas do ICE como ‘homicídio por asfixia’.
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), a centenária entidade pelos direitos democráticos nos Estados Unidos, a Human Rights Watch e o Texas Civil Rights Project entraram na semana passada com uma ação judicial por violações de direitos no maior centro de detenção de imigrantes do país, localizado em El Paso, no Texas, contra as SS anti-imigração do governo Trump, que atendem pela sigla ICE, e contra o Departamento de Segurança Interna (DHS).
Em comunicado, a ACLU afirmou que este é o primeiro processo contra a precária instalação, localizada na região da base militar de Fort Bliss, e que a ação visa melhorar as condições para seus mais de 2.700 detentos.
Desde a inauguração do acampamento, há nove meses, pelo menos três pessoas morreram no local. Em janeiro, a morte do imigrante cubano Geraldo Lunas Campos foi reconhecida pelos médicos legistas da instalação como homicídio por “asfixia por compressão do pescoço e do tronco”.
Em fevereiro, uma inspeção determinada pelo Congresso americano norte-americano, diante da repercussão do caso, identificou pelo menos 49 violações dos padrões de detenção, incluindo 11 relacionadas ao “uso da força e restrições” e cinco ligadas a “cuidados médicos”.
“Estamos processando para garantir que nenhum outro ser tenha que suportar esse tratamento desumano”, disse Kyle Virgien, advogado do National Prison Project da ACLU.
Os quatro imigrantes representados estão atualmente detidos no acampamento East Montana —um amontoado de tendas implantado pelo governo Trump visando deportação em massa.
ABUSOS
De acordo com o processo, os detentos são confinados em celas sem janelas, onde sofrem abusos físicos por parte dos guardas, recebem cuidados médicos e de saúde mental inadequados, são submetidos indiscriminadamente ao encarceramento em solitária e ficam expostos a doenças como sarampo e tuberculose.
Tudo falso, asseverou um porta-voz do DHS, só faltando classificar a hospedagem como cinco estrelas. Nenhum detento estava sendo espancado, abusado ou privado de atendimento médico. Sem casos de sarampo e, a cereja no bolo, “não houve aumento no número de mortes sob custódia do ICE durante o governo Trump”.
“O ICE leva a sério a saúde e a segurança de todos os detidos sob nossa custódia”, insistiu o esforçado porta-voz, alegando que o aparato de repressão aos imigrantes possui padrões de detenção “mais rigorosos” do que a maioria das prisões americanas que abrigam cidadãos dos EUA.
Em depoimento, o imigrante venezuelano Erik Ivan Rodriguez, um dos autores da ação, afirmou que sofreu violência física enquanto as autoridades tentavam coagí-lo a assinar documentos de deportação. Outro autor, Gerald Akari Angye, de Camarões, disse ter sido espancado por guardas.
GOTA D’ÁGUA
Mas o assassinato do imigrante cubano Geraldo Lunas Campos na instalação de El Paso por si só desmente as alegações do porta-voz.
Inicialmente o ICE tentou atribuir sua morte a “problemas de saúde”. Versão depois remendada para “tentativa de suicídio”, com a morte ocorrendo durante “uma luta corporal com guardas que tentavam salvá-lo”. Segundo o processo da ACLU, Campos teria sido espancado até a morte após pedir medicação para asma.
Um quarto homem morreu pouco depois de ser libertado do acampamento, onde teria tido negado o acesso à quimioterapia para tratar um câncer, segundo a denúncia da entidade. As mortes em centros de detenção de imigrantes nos EUA atingiram, em 2025, o nível mais alto em 20 anos, à medida que a cruzada de Trump contra os imigrantes foi sendo escalada no país inteiro.











