Chanceler Araghchi: “Irã provou que não se submeterá à arrogância americana”

"Confisco de bens de outra nação provocará o caos", , alerta o ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi (AFP)

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou que Teerã “não teme ameaças” e seguirá defendendo “o povo iraniano e seus interesses no Estreito de Ormuz”. O Irã – acrescentou – “provou que não se submeterá à arrogância americana”.

“Não tememos ameaças, não sucumbimos à pressão, e não toleraremos a linguagem das ameaças. Temos uma política de princípios e estamos avançando com ela”, disse Araghchi a jornalistas à margem da reunião de ministros das Relações Exteriores da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), no Quirguistão, nesta sexta-feira (24).

“A proteção do povo iraniano e a defesa dos interesses do Irã no Estreito de Ormuz fazem parte dos nossos princípios, e nós os perseguimos”, enfatizou.

O Irã – continuou – não se submeterá à intimidação dos EUA e responderá à linguagem da força, da pressão e das ameaças, com as forças armadas e os diplomatas de seu país continuando a cumprirem suas missões. “Enquanto os objetivos e as demandas legítimas do povo iraniano não forem alcançados, é natural que continuemos nossas ações”.

A OCX é integrada pela Rússia, China, Índia, Paquistão, Irã e as repúblicas ex-soviéticas da Ásia Central. Araghchi se reuniu em Cholpon-Ata com seus homólogos Wang Yi (China) e Sergey Lavrov (Rússia).

NORMALIZAÇÃO’ DO CONFISCO LEVARÁ AO CAOS

Araghchi também respondeu à mais recente ameaça de Trump contra o Irã, a de que irá confiscar ativos iranianos congelados em bancos, sob sanções dos EUA, para “indenizar” danos causados a navios e cargas comerciais em Ormuz ou no Golfo Pérsico.

“Confiscar os bens de outra nação para pagar indenizações futuras não relacionadas cria um precedente perigoso”, afirmou o ministro em uma mensagem publicada na rede social X, sobre a pirataria anunciada.

Nesse sentido, Araghchi se referiu aos riscos de “normalizar a confiscação de bens” e alertou aqueles que comemoram ou se beneficiam da decisão de que, com essa política, “os bens de ninguém estarão a salvo”. “O caos resultante não será nem agradável nem pacífico”, sublinhou.

Analistas calculam em cerca de US$ 100 bilhões o total de ativos congelados sob as sanções americanas contra o Irã – dinheiro da venda do petróleo iraniano -, mas apenas US$ 2 bilhões efetivamente sob controle de Washington. Em torno de US$ 24 bilhões, em bancos do Catar, conforme o memorando agora suspenso seriam devolvidos ao Irã.

Em sua postagem no “Truth Social”, Trump asseverara que a medida entraria em vigor imediatamente e “até novo aviso”, dizendo ainda que, embora os custos de indenização possam ser muito elevados, “é o que é justo e equitativo”.

Em outra publicação em sua rede social, Trump ameaçou que os Estados Unidos “bombardeariam e destruiriam UMA PONTE OU UMA USINA ELÉTRICA” dentro do Irã, “incluindo aquelas localizadas perto ou na capital, Teerã”, para cada ataque a um navio no Estreito de Ormuz.

“UMA CABEÇA POR UM OLHO”

Declaração do Secretário de Guerra Marco Rubio, de que Washington responderia com “uma cabeça por um olho”, se referindo às baixas que os EUA têm sofrido e tentam esconder, foi denunciada pela embaixada iraniana em Londres como uma “admissão de crimes de guerra por parte dos EUA”.

“Implica explicitamente em admitir ataques desproporcionais, punições e ataques contra infraestrutura e propriedade civil, em violação dos princípios fundamentais do direito internacional e constituindo crimes de guerra.”

“Esse tipo de declaração oficial constitui prova direta da intenção e do conhecimento dos responsáveis ​​por ordenar essas ações e, ao mesmo tempo, registra evidências importantes de sua responsabilidade nesses crimes”, acrescentou o comunicado.

BARRIL DE PETRÓLEO DE VOLTA A TRÊS DÍGITOS

O intento de Trump de proibir que o Irã exporte seu petróleo também foi contestado pelo presidente do parlamento iraniano, Ghalibaf: se o Irã não puder, então ninguém poderá exportar petróleo no Golfo.

Trump reativou o bloqueio aos portos iranianos. No momento, o gargalo no fornecimento do petróleo à economia global se agravou, com o novo bloqueio determinado pelos revolucionários iemenitas ao Estreito de Bab El-Mandeb se somando ao já em vigor no Estreito de Ormuz, o que significa um estrangulamento de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, o que já levou o barril de volta ao preço de três dígitos.

MÍSSEIS DO IRÃ MARTELAM BASES DOS EUA

Enquanto quatro caixões envoltos na bandeira americana chegavam de volta a Washington e jornais americanos denunciavam que o número de baixas estava sendo abafado, o Irã seguia exercendo de forma contundente sua resposta à escalada na guerra de escolha de Trump, que já se estende por 13 noites.

Segundo as agências de notícias, as 18 bases americanas no Golfo estão extensamente danificadas e a maior parte dos radares americanos estratégicos já foram destroçados, especialmente no Kuwait e Bahrein. No intento de evitar mais perdas, Washington se viu forçado a transferir aviões de guerra e de reabastecimento para a Jordânia e Israel, ‘concentrando’ os alvos.

Até mesmo jornais como o The New York Times e The Wall Street Journal têm registrado que o total de baixas e o grau de danos às bases americanas não batem com o que o Pentágono diz, nem com as lorotas de Trump de que o Irã “não tem mais marinha, não tem mais exército, não tem nada, está tudo destruído”.

Na 27ª onda da Operação Vitória [Nasr] drones iranianos de ataque pesados e avançados foram lançados contra um grande depósito de munições na base americana de Ali Al Salem, no Kuwait, que foi completamente destruído após uma série de explosões, anunciou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Simultaneamente foram atacados nessa base seis grandes alojamentos e outros três ficaram muito danificados, com mortos e feridos.

No Bahrein, drones suicidas Arash iranianos atacaram depósitos de combustível, armazéns e grandes hangares de equipamentos militares, bem como alojamentos das tropas americanas, na base de Sheikh Isa. Em outra fase da mesma operação, o Exército iraniano dirigiu ataques com drones contra hangares de aeronaves, hangares de manutenção e reparo de aeronaves e alojamentos de mercenários militares americanos agressores na Base Aérea de Al-Azraq, na Jordânia. Na operação, mais um sistema Patriot americano foi destruído.

Outro destaque foi a interceptação e abate, pelas defesas antiaéreas iranianas, de um míssil americano de cruzeiro, um Tomahawk, na província de Kerman, sul doIrã.

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